Timor-Leste defende definição de justiça climática a nível internacional
O enviado especial de Timor-Leste para as Alterações Climáticas defendeu hoje a definição de uma justiça climática a nível internacional e a utilização no seu país de energias renováveis.
“Acredito que a justiça climática precisa de ser decidida e definida a nível internacional, para que Timor-Leste, que é um dos países mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, possa receber financiamento climático para adaptação, mitigação dos gases com efeito de estufa, desenvolvimento de capacidades humanas e também reabilitação após catástrofes”, afirmou Adão Soares Barbosa.
O embaixador falava aos jornalistas após uma sessão de sensibilização sobre alterações climáticas a nível regional e mundial no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Díli.
Timor-Leste enfrenta riscos decorrentes das alterações climáticas, como a diminuição da precipitação, inundações, ondas de calor, erosão do solo, sedimentação e a subida contínua do nível do mar.
Segundo o embaixador Adão Soares Barbosa, Timor-Leste contribui apenas com 0,003% para as alterações climáticas, através de emissões resultantes dos transportes, queimadas florestais, centrais elétricas e da poluição marinha.
“Timor-Leste irá continuar a explicar a questão da justiça climática, porque a sua emissão de gases com efeito de estufa é muito baixa – apenas 0,003% em comparação com as emissões globais. No entanto, os impactos que sofre são muito superiores à sua contribuição para as alterações climáticas”, lamentou o embaixador.
A posição de Timor-Leste é exigir que os países desenvolvidos reduzam as suas emissões de gases com efeito de estufa, neutralizem o carbono e concretizem políticas que limitem o aumento da temperatura global a não mais do que 1,5º Celsius.
O enviado especial para as alterações climáticas apelou também ao Governo timorense para promover a utilização de energias renováveis para ajudar a reduzir a emissão de gases com efeito de estufa.
Adão Barbosa sublinhou que a verdadeira causa das alterações climáticas são as atividades humanas que aumentam as emissões, principalmente as provenientes da indústria, grandes fábricas, transportes e também da agricultura intensiva, sobretudo, com o uso de fertilizantes não orgânicos, que contribuem para a libertação de gases com efeito de estufa para a atmosfera.
Como consequência, a temperatura média global tem vindo a aumentar, e em Timor-Leste a temperatura está a subir quase 0,0016 graus Celsius por ano, acrescentou.
