Tipo de coral inteiramente desconhecido descoberto nas profundezas do mar na Costa Rica

A espécie foi batizada com o nome científico Laurinque elenya, ambas palavras derivadas da língua dos elfos inventada pelo escritor J.R.R. Tolkien, criador do universo de “O Senhor dos Anéis”. A palavra “laurinque” significa “árvore dourada”, uma alusão ao formato e cor do novo coral, e “elenya” significa “estelar” ou “das estrelas”.

Filipe Pimentel Rações

A centenas de metros de profundidade no Oceano Pacífico, um coral nunca antes visto foi descoberto ao largo da Costa Rica. Exibindo uma coloração amarelada e estendendo-se como uma árvore repleta de folhas, é tão diferente dos corais até agora descritos que foi criada uma nova família só para incluí-lo.

A descoberta deu-se aquando da exploração de montes submarinos por cientistas da Costa Rica, Canadá e Estados Unidos da América. Num artigo publicado na revista ‘ZooKeys’, revelam que estes corais foram encontrados entre os 360 e 529 metros abaixo da superfície do mar.

Espécimes foram recolhidos em dois momentos (2019 e 2023) e locais distintos e os investigadores definem, para já, a área de distribuição geográfica da nova espécie nos montes submarinos do leste do Pacífico tropical, ao largo da Costa Rica.

A espécie foi batizada com o nome científico Laurinque elenya, ambas palavras derivadas da língua dos elfos inventada pelo escritor J.R.R. Tolkien, criador do universo de “O Senhor dos Anéis”. A palavra “laurinque” significa “árvore dourada”, uma alusão ao formato e cor do novo coral, e “elenya” significa “estelar” ou “das estrelas”.

A nova espécie de coral tem pólipos com oito tentáculo cada um. Por isso, pertence à classe dos octocorais. Foto: ROV SuBastian (FKt 230918).

Os cientistas encontraram a nova espécie a prosperar, fixada na superfície rochosa de montes submarinos quase totalmente cobertos por estrelas-do-mar de braços finos. No artigo, escrevem que os corais a emergir de “campos” de estrelas-do-mar como árvores reluzentes faziam lembrar “o mundo místico dos elfos” de Tolkien.

Para descobrirem a que categorias taxonómicas pertencia a nova espécie, os investigadores sequenciaram três genes que são tipicamente usados para identificar corais, mas não havia correspondências. Decidiram, então, analisar centenas de genes de uma só vez e perceberam que se tratava de uma família totalmente desconhecida até então.

A família mais próxima da desta nova espécie é a Eunicellidae, mas são suficientemente diferentes, em termos genéticos e morfológicos, para serem consideradas famílias distintas. Contudo, ambas pertencem ao grupo dos octocorais (cujos pólipos têm oito tentáculos cada um).

Assim, surgiu a família Laurinqueidae, para só com uma espécie, a Laurinque elenya.

“Vi o jardim de octocorais pela primeira vez em 2019 e fiquei impressionada pela beleza da paisagem, que inspirou, mais tarde, o nome élfico para os táxons [família, género e espécie]”, recorda Odalisca Breedy, da Universidade da Costa Rica e primeira autora do estudo.

Os investigadores dizem que esta espécie é mais uma que se junta a uma lista cada vez maior de novas espécies que têm sido descobertas nos montes submarinos da Costa Rica nos últimos anos. Além disso, consideram que mostra o quanto ainda há por desvendar nas zonas mais profundas dos oceanos, que cobrem cerca de dois terços da superfície da Terra e sobre as quais ainda muito pouco se sabe.

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