Se as famílias na União Europeia (UE) trocarem caldeiras a gás e carros a combustão por bombas de calor e carros elétricos podem poupar mais de 2.200 euros por ano nas contas da energia, dizem especialistas.
De acordo com uma análise do grupo de reflexão dinamarquês CONCITO, a eletrificação é “a ferramenta mais poderosa” para proteger os europeus face a choques energéticos, como o que o continente enfrenta atualmente, resultado do conflito no Médio Oriente. E os autores dizem que essa troca tinha já um “potencial massivo” para escudar as famílias europeias mesmo antes da crise estalar.
As poupanças estimadas em Espanha seriam de 2.000 euros por ano, em França de 3.070 euros, na Alemanha de 1.950 euros, na Polónia de 1.870 euros e em Itália de 1.780 euros. A análise não conta com estimativas para Portugal.
Além disso, os especialistas argumentam que os benefícios vão além das contas de energia propriamente ditas. De acordo com os cálculos que fizeram, substituir 65 milhões de caldeiras a gás por toda a Europa permitiria reduzir para metade a dependência que a região tem atualmente de importações de gás.
Ainda, substituir metade de todos os carros a combustão que circulam pelas estradas europeias reduziria em 20% das importações de petróleo.
“No seu conjunto, estas medidas reduziriam a vulnerabilidade da Europa ao uso da sua dependência do combustível fóssil como arma, e proporcionariam uma estabilidade de preços significativamente melhorada”, dizem os especialistas, que também apontam algumas barreiras que estão a impedir avanços na frente da eletrificação.
Na análise, referem que, em alguns países, os sistemas fiscais ainda privilegiam o uso do gás natural em detrimento da eletricidade, retirando relevância às bombas de calor “apesar da sua eficiência significativamente superior”.
“Os Estados-membros deve reequilibrar estas estruturas fiscais para permitir que as alternativas elétricas concorram em condições de igualdade”, afirmam.
Os custos iniciais de aquisição continuam a ser um dos grandes obstáculos para muitas famílias, admitem, sugerindo subsídios de aproximadamente 4.500 euros reduziriam o tempo de amortização de uma bomba de calor para cinco anos para uma família média na UE.
“Os picos nos preços dos combustíveis fósseis a que assistimos atualmente não são um acaso”, diz Jens Mattias Clausen, diretor da divisão UE do CONCITO, mas sim “a consequência previsível da contínua dependência da Europa face ao petróleo e ao gás, dos quais cerca de 90% é importado”.
“Esta análise mostra que as ferramentas para proteger as famílias europeias já existem. O que é preciso é que haja agora vontade política para remover as barreiras que se colocam no caminho”, acrescenta.









