Cerca de dois terços dos Estados-membros da União Europeia (UE) não estão a dar às empresas os incentivos fiscais necessários para fazer com que troquem os carros a gasóleo e gasolina por veículos elétricos.
De acordo com análise da organização Transport & Environment (T&E), em 18 dos 27 países do bloco regional a diferença dos impostos que recaem sobre carros a energia fóssil e veículos movidos a eletricidade não é suficiente para compensar os preços mais elevados desses últimos. Assim, nesse grupo de Estados, as empresas não têm grandes incentivos para transitarem de uma mobilidade a combustíveis fósseis para a elétrica.
“Numa altura em que a Europa deveria estar a reduzir a sua dependência face ao petróleo, impostos fracos sobre os veículos das empresas arriscam condenar o continente a ficar preso durante décadas aos países produtores de petróleo”, avisa a T&E.
A organização argumenta que, quanto maior for a diferença entre os impostos aplicados sobre os veículos elétricos e os veículos a combustíveis fósseis e quanto mais ajudarem a mitigar os custos iniciais de aquisição, mais sólido será o incentivo para que as empresas considerem uns mais economicamente viáveis do que os outros. Assim, menos impostos sobre os elétricos e mais sobre os a combustão ajudarão a justificar a transição das frotas empresariais para a mobilidade elétrica.
Segundo a análise, apenas nove dos 27 Estados-membros apresentam uma diferença de impostos que permite compensar o custo inicial de aquisição médio de um carro elétrico, que os analistas estimam em 10.650 euros.
A Dinamarca está no topo da lista, com uma diferença de 37 mil euros a favor dos carros elétricos, seguida por França e pela Grécia. Em quarto lugar surge Portugal, com uma diferença estimada de 15.334 euros, e é considerado, por isso, um dos países da UE que mais fortemente taxa os carros a combustíveis fósseis comparativamente aos elétricos, tornando esses últimos mais atrativos.
O fim da lista está a Bulgária, antecedida pela Hungria, pela Estónia, pela Croácia, por Espanha, pela Letónia, pela Roménia e pela Alemanha.
A transição energética na mobilidade das empresas é considerada fundamental para combater as emissões do transporte rodoviário. Estima-se que as empresas representem 59% das novas matrículas e 78% do petróleo importado consumido por novos carros.
Em dezembro do ano passado, a Comissão Europeia apresentou uma proposta de regulamento que define metas nacionais de eletrificação para as frotas automóveis das empresas. O objetivo é que, até 2030, em toda a UE 45% dos novos carros adquiridos pelas empresas sejam elétricos, e que sejam os Estados-membros a promover essa mudança.
A T&E considera que são realmente os governos europeus que podem fazer a maior diferença na transição energética das frotas empresariais, ao aumentarem a diferença entre a carga fiscal que recai sobre carros elétricos e sobre carros a combustível. Menos impostos sobre os elétricos e mais sobre os movidos a petróleo é a melhor forma de se conseguir alcançar os objetivos no que toca às frotas automóveis das empresas, acredita esta organização não-governamental.
Mas ainda há caminho a percorrer, uma vez que 13 Estados-membros ainda dão subsídios às empresas que usem carros a gasolina, com a Alemanha no topo da lista.
“É desconcertante que, em quase metade dos países da UE, os governos continuem a conceder subsídios às empresas para usarem carros a gasolina”, admite Stef Cornelis, da T&E.
“Os legisladores e os Estados-membros têm de defender a disposição segundo a qual os benefícios financeiros só podem ser concedidos a um veículo empresarial quando este for elétrico e produzido na Europa. Desta forma, criamos postos de trabalho locais, reduzimos as importações de petróleo e salvaguardamos os futuro da indústria automóvel europeia”, acrescenta.









