Apesar de progressos em algumas áreas, é provável que, se tudo continuar como está, a União Europeia não alcance a maioria das metas ambientais que assumiu para 2030.
O aviso é lançado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA), que avaliou o progresso feito relativamente a objetivos traçado no âmbito do oitavo Programa de Ação Ambiental, que estruturam a política ambiental da UE até 2030. A análise teve por base 28 indicadores, como mitigação e adaptação climáticas, economia circular regenerativa, poluição, biodiversidade e ecossistemas e produção e consumo.
A avaliação feita pela AEA reconhece que o bloco continua a reduzir emissões de gases com efeito de estufa, a melhorar a qualidade do ar e a aumentar o número de empregos “verdes”. No entanto, dos 28 indicadores, apenas quatro estão no bom caminho para serem cumpridos até ao final da década.
Entre os indicadores com bom desempenho estão a redução em 55% das mortes prematuras devido à poluição do ar até 2030, o aumento da eco-inovação como motor da transição verde, o aumento da porção de empregos e de economia “verdes” em toda a economia.
No campo dos indicadores que, se tudo continuar como está, provavelmente não serão alcançados até 2030 estão 17, entre eles a redução significativa do consumo de materiais e da produção de resíduos na UE, a redução em pelo menos 50% da poluição das águas subterrâneas por nitratos, a designação de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas da UE como áreas protegidas, a reversão do declínio das aves comuns e a diminuição da fragmentação dos ecossistemas florestais.
Ainda, na lista dos indicadores a amarelo estão a redução do consumo de energia, o aumento para pelo menos 42,5% de energia renovável no consumo energético final bruto até 2030, o aumento de impostos ambientais, a redução dos subsídios a atividades ambientalmente prejudiciais e a redução da escassez de água.
Por fim, a vermelho estão cinco indicadores que, se o atual progresso se mantiver inalterado, não serão alcançados até ao final da década: a redução das perdas monetárias causadas por eventos climáticos extremos, a duplicação da taxa de circularidade de materiais até 2030, alcançar 25% da área agrícola da EU em modo de produção orgânica, a redução significativa do impacto ambiental do consumo dos europeus e o aumento da remoção de gases com efeito de estufa gerados pelo setor do uso do solo, alteração do uso do solo e florestas.
Diz a AEA, no relatório de avaliação de progresso, que para que os objetivos traçados para 2030 possam ser alcançados é preciso que a atual legislação seja implementada mais rapidamente e que esteja dotada de mais recursos.
Embora saliente que a UE tem “fortalecido significativamente” as suas políticas ambientais nos últimos anos, a AEA destaca que “o efeito total destas medidas ainda não se fez sentir e a janela de oportunidade para alcançar os objetivos de 2030 está a fechar-se rapidamente”.









