Uma dezena de países da UE quer maior controlo sobre corvos-marinhos por competição com pescas

Segundo esta dezena de Estados-membros, essas aves marinhas estão a causar grandes prejuízos no setor das pescas ao competirem com os pescadores pelas mesmas espécies de peixes, especialmente em contextos de aquicultura. Algumas estimativas apontam que os corvos-marinhos são responsáveis por perdas de mais de 350 milhões de euros por ano na pescas e aquicultura.

Redação

Vários Estados-membros da União Europeia (UE) estão a pedir à Comissão que os corvos-marinhos (Phalacrocorax carbo) deixem de ser uma espécie protegida e passem a ser classificados como uma espécie cinegética.

De acordo com o ‘Politico’, numa carta enviada aos comissários europeus do Ambiente, Jessika Roswall, e das Pescas, Costas Kadis, 16 ministros da agricultura e do ambiente da Estónia, Suécia, Finlândia, Letónia, Lituânia, Eslováquia, Croácia, Polónia, República Checa e Roménia pedem que os corvos-marinhos passem a figurar na lista de espécies cinegéticas da Diretiva Habitats.

Segundo esta dezena de Estados-membros, essas aves marinhas estão a causar grandes prejuízos no setor das pescas ao competirem com os pescadores pelas mesmas espécies de peixes, especialmente em contextos de aquicultura. Algumas estimativas apontam que os corvos-marinhos são responsáveis por perdas de mais de 350 milhões de euros por ano na pescas e aquicultura.

Nessa mesma missiva, os signatários dizem que o controlo, por meios letais, dos corvos-marinhos dever ser entendido como qualquer outra medida de controlo de predadores que são já implementadas pela UE, como no caso recente dos lobos.

O mesmo órgão de comunicação avança que o grupo quer também que a UE defina limites populacionais para os corvos-marinhos e que permita que possam ser caçados mesmo fora da época venatória.

As exigências foram levadas a discussão em reunião da comissão de agricultura e pescas do Conselho da União Europeia, no dia 26 de maio. No documento tornado público, é avançada a estimativa de que os corvos-marinhos na Europa consomem anualmente cerca de 360 mil toneladas de peixe. Com base nesse cálculo, o grupo dos 10 Estados-membros argumenta que “esta escala claramente ilustra a urgência da situação e a necessidade de reabrir a discussão sobre os impactos crescentes da predação, em particular do corvo-marinho”.

Dizem esses países que os impactos da ave nas pescas e aquicultura estão a ameaçar a sustentabilidade económica do setor e “a capacidade da União para alcançar os seus objetivos ambientais”, isso, porque, argumentam, os corvos-marinhos estão a desestabilizar os ecossistemas marinhos. Na carta tornada pública não há, contudo, referências a fazer dessa ave uma espécie cinegética, mas, contudo, há sim uma recomendação para a criação de um plano para a “gestão populacional adaptativa”, uma estratégia que pode envolver, por exemplo, o controlo por abate, caça ou translocação.

Em resposta, a comissária Jessika Roswall disse reconhecer que é um assunto importante para muitos Estados-membros e assegurou que a Comissão está a levar a sério as preocupações elencadas.

A responsável admitiu que, em algumas regiões da UE, o aumento das populações de corvos-marinhos (fruto precisamente da Diretiva Aves) tem levado a conflitos com as comunidades locais, especialmente pescadores. Roswall assegurou que a Comissão tem vindo a trabalhar para mitigar o problema, incluindo a publicação de orientações que visam reduzir a carga burocrática para que as autoridades nacionais possam mais facilmente gerir as populações de corvos-marinhos.

Sobre o plano de gestão proposto, a comissária disse que há abertura para discutir como é que o trabalho poderá avançar e ainda que a Comissão apoiará esforços para recolher dados sobre as populações de corvos-marinhos, incluindo os impactos socioeconómicos.

Ainda assim, Roswall sublinhou que é preciso continuar a atuar sobre outros fatores que pressionam os stocks de peixe, como a poluição, destruição de habitat e a sobrepesca, que são das principais causas do declínio das populações de peixes.

Conversações sobre possíveis abordagens para lidar com as perdas atribuídas aos corvos-marinhos deverão acontecer no outono deste ano.

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