Urbanização acelerada agrava impactos climáticos e riscos para a saúde pública

O documento alerta para a urbanização acelerada, marcada pela expansão da infraestrutura cinzenta e pela perda de sistemas naturais, que tem agravado os impactos das alterações climáticas e aumentado riscos para a saúde pública.

Redação

O Laboratório Associado TERRA divulgou hoje o Policy Brief “Cidades Mais Verdes: Evidência científica para informar políticas públicas de renaturalização urbana”, o segundo de quatro documentos estratégicos produzidos no âmbito do TERRA Policy Hub, um encontro colaborativo organizado pelo TERRA no final de 2025. O Policy Brief está disponível em: https://zenodo.org/records/20182884.

O documento alerta para a urbanização acelerada, marcada pela expansão da infraestrutura cinzenta e pela perda de sistemas naturais, que tem agravado os impactos das alterações climáticas e aumentado riscos para a saúde pública. Entre os problemas identificados estão a artificialização e impermeabilização dos solos, a redução do coberto vegetal e da biodiversidade, a fragmentação ecológica, o aumento da poluição atmosférica e das águas e a maior ocorrência de fenómenos como ilhas de calor urbano, cheias rápidas e turbulência atmosférica.

Segundo os autores, “a ausência de políticas integradas de infraestrutura verde constitui hoje um dos principais entraves à resiliência urbana, à justiça espacial e à coesão territorial, bem como ao desenvolvimento sustentável.”

Elaborado por uma equipa multidisciplinar — Paulo Morgado (coord.), Ana Paula Ramos, António Lopes, Cristina Bárbara, Jorge Durán, Manuel Bicho, Paula Castro e Teresa A. Paço — o documento integra contributos de quatro das cinco unidades de investigação do TERRA (CEG, LEAF, ISAMB e CFE), refletindo a complementaridade científica do Laboratório Associado e a sua missão de produzir conhecimento para a sustentabilidade do uso da terra e o bem-estar das populações.

Evidência científica

A síntese de evidência científica apresentada no Policy Brief demonstra de forma consistente que a infraestrutura verde é uma solução eficaz, mensurável e custo efetiva para reduzir riscos urbanos e melhorar a saúde pública:

  • reduz temperaturas locais entre 1,5 °C e 3,5 °C
  • aumenta a infiltração da água da chuva e reduz o risco de cheias
  • contribui para o sequestro de carbono
  • melhora a qualidade do ar e diminui doenças respiratórias e cardiovasculares
  • promove regulação emocional, bem-estar cognitivo e combate ao sedentarismo
  • reforça o envolvimento cívico quando associada a processos participativos

A escolha de espécies vegetais adequadas ao território, a eficiência hídrica, os custos de manutenção e a resiliência climática são fatores críticos para o sucesso das intervenções.

Os investigadores do TERRA sublinham ainda que a “participação comunitária nos processos de planeamento e de decisão aumenta a sustentabilidade dos projetos”, reforçando que sem envolvimento social os benefícios tendem a ser temporários.

Recomendações estratégicas

Para responder aos desafios identificados, o Policy Brief apresenta três recomendações operacionais para apoiar a transição para cidades mais saudáveis, inclusivas e sustentáveis:

  1. Integrar propostas de infraestrutura verde nos instrumentos de gestão territorial
  2. Priorizar territórios e comunidades vulneráveis
  3. Integrar saúde pública no planeamento e desenho urbano

O documento apresenta ainda opções de política que permitem aos decisores avaliar impactos em termos de eficácia, custos, equidade territorial e benefícios para a saúde e resiliência climática. A evidência demonstra que investimentos consistentes em infraestrutura verde geram poupanças progressivas em saúde, energia e gestão de riscos climáticos.

A renaturalização urbana é apresentada como uma estratégia estruturante de saúde pública, justiça territorial e adaptação climática. O TERRA reforça que apenas abordagens sistémicas, interdisciplinares e baseadas em evidência permitirão transformar as cidades portuguesas em espaços resilientes, inclusivos e sustentáveis, sublinhando que a integração consistente da infraestrutura verde deve ser assumida como uma prioridade nacional.

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