Utilizadores de trotinetes elétricas sofrem mais lesões cerebrais graves do que motociclistas

O estudo analisou dados de 15.247 doentes com lesões traumáticas moderadas a graves registados entre 2020 e 2022 em 18 cidades de Inglaterra e do País de Gales.

Redação

Os utilizadores de trotinetes elétricas apresentam um risco significativamente superior de sofrer lesões cerebrais traumáticas do que motociclistas e ciclistas, segundo um estudo realizado em Inglaterra e no País de Gales. Os investigadores defendem medidas como o uso obrigatório de capacete, limites de velocidade mais restritivos e melhorias no desenho destes veículos para reforçar a segurança.

Publicado na revista científica Scientific Reports, o estudo analisou dados de 15.247 doentes com lesões traumáticas moderadas a graves registados entre 2020 e 2022 em 18 cidades de Inglaterra e do País de Gales.

A análise incluiu 580 utilizadores de trotinetes elétricas, 7.027 motociclistas e 7.640 ciclistas.

Risco de lesão cerebral é 3,5 vezes superior

Os resultados mostram que os adultos que utilizavam trotinetes elétricas apresentavam um risco 3,5 vezes superior de sofrer lesões cerebrais traumáticas em comparação com os motociclistas.

Face aos ciclistas, esse risco era 1,7 vezes mais elevado.

Além disso, os utilizadores de trotinetes tinham um risco 1,5 vezes superior de sofrer lesões em órgãos internos relativamente aos motociclistas e 1,4 vezes superior quando comparados com os ciclistas.

O risco de lesões em artérias ou veias também era superior: 3,2 vezes face aos motociclistas e 1,7 vezes relativamente aos ciclistas.

Em contrapartida, os investigadores verificaram que os utilizadores de trotinetes apresentavam menos fraturas ósseas do que os outros dois grupos.

Poucos utilizadores usam capacete

Segundo os autores, uma das principais explicações poderá ser a reduzida utilização de capacete.

O estudo indica que apenas 5,9% dos utilizadores de trotinetes elétricas usavam capacete, enquanto essa proteção era utilizada por 75,7% dos motociclistas e 45% dos ciclistas.

Os investigadores admitem que este fator possa contribuir para o maior risco de traumatismos cranianos, juntamente com características do próprio veículo que favorecem quedas em que o condutor é projetado sobre o guiador.

Mulheres relatam acidentes mais graves

A equipa analisou ainda mais de 23 mil acidentes e situações de quase acidente comunicados pelos próprios utilizadores de trotinetes.

Os dados revelam que os homens apresentavam um risco de colisão 36% inferior ao das mulheres.

Por sua vez, as mulheres tinham uma probabilidade 2,1 vezes superior de reportar lesões graves.

Os autores sugerem que esta diferença poderá dever-se, pelo menos em parte, ao facto de muitas trotinetes terem sido concebidas com base nas proporções corporais masculinas. Acrescentam ainda que estudos anteriores mostraram que as mulheres tendem a circular com maior frequência em passeios e superfícies não pavimentadas.

Capacetes obrigatórios e melhorias no desenho

Os investigadores consideram que o risco associado às trotinetes elétricas resulta de uma combinação de fatores, incluindo o uso reduzido de capacete, o desenho dos veículos, o comportamento dos utilizadores e as características das infraestruturas urbanas.

Por isso, defendem a adoção de medidas como a obrigatoriedade do uso de capacete, limites de velocidade mais baixos, melhorias nos sistemas de travagem e alterações ao desenho dos guiadores, tornando-os mais seguros em caso de colisão.

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