O Parque Nacional de Tsavo, no Quénia, teme o ressurgir e agravar da caça ilegal após o corte da ajuda do Governo norte-americano, alertou hoje o Fundo Internacional para o Bem-Estar dos Animas (IFAW, na sigla em inglês).
A reserva, um dos maiores santuários da vida selvagem de África, que abriga mais de 500 espécies de aves e 60 mamíferos diferentes, incluindo o rinoceronte negro, espécie criticamente ameaçada de extinção, recebia 7,8 milhões dólares (6,6 milhões de euros) provenientes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Os subsídios da USAID financiavam o treino de 133 agentes comunitários em técnicas de combate à caça ilegal e aplicação da lei, o que reforçou a segurança de muitos animais em Tsavo, local que abrange 35 reservas distintas no sudeste do Quénia.
O desenvolvimento deste trabalho foi interrompido, além de postas em acusa as moradias para guardas-florestais e 300 quilómetros de melhorias em estradas vitais para o patrulhamento da vida selvagem.
O IFAW também suspendeu iniciativas como a plantação de 6.000 mudas para restauração de pastagens, introdução de programas de vacinação de gado e melhoramento de raça.
A organização declarou que está a explorar modelos alternativos de financiamento de longo prazo, como créditos de biodiversidade e fundos verdes nacionais.
Vários especialistas alertaram que a falta de verbas pode levar muitos parques a reduzir as patrulhas de guardas florestais e os trabalhos críticos de restauração, colocando em risco a vida selvagem única em países como Moçambique, Madagáscar, Ruanda e Congo.
A USAID prometeu apoio ao projeto por cinco anos, para fortalecer a proteção da biodiversidade, desenvolver resiliência climática e combater a caça ilegal, com duração prevista até 2027.
Entretanto, na metade do projeto em janeiro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, congelou todo o financiamento da USAID e posteriormente desmantelou a agência por completo, interrompendo repentinamente os esforços de conservação.
Trump tem sido um crítico dos programas de desenvolvimento africanos, chamando-os de “desperdício” do dinheiro dos contribuintes.
O fim da USAID repercutiu-se em centenas de iniciativas de preservação da vida selvagem financiadas pelos EUA em todo o mundo.









