A associação ambientalista Zero exigiu hoje ao Governo português que se manifeste contra o prolongamento até junho de 2030 do funcionamento da central nuclear espanhola de Almaraz, perto da fronteira com Portugal, determinado pelo executivo espanhol.
“É importante que, de facto, o Governo assuma publicamente uma posição crítica em relação a este adiamento do encerramento de Almaraz e que exija a Espanha que o calendário seja cumprido”, disse hoje à Lusa a vice-presidente da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, Susana Fonseca.
O Ministério espanhol da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico renovou até junho de 2030 a licença de operação das Unidades I e II da Central Nuclear de Almaraz, segundo uma portaria hoje publicada.
A decisão encerra um processo que teve início em outubro de 2025, quando os três proprietários da central – Iberdrola, Endesa e Naturgy – concordaram em pedir formalmente a prorrogação.
O encerramento gradual dos dois reatores estava inicialmente previsto para 01 de novembro de 2027, para a Unidade I, e 31 de outubro de 2028, para a Unidade II, em conformidade com o protocolo estabelecido pelas empresas de energia.
Caso o novo prazo se confirme, a Unidade I encerrará com 49 anos de operação e a Unidade II com quase 47, “muito além dos 40 anos para os quais reatores de água pressurizada (PWR) de tecnologia Westingouse foram originalmente projetados”, sustentou a Zero em comunicado.
“Estamos a falar de uma infraestrutura que é uma infraestrutura industrial de risco e, portanto, sempre que nós acrescentamos anos de utilização a esta infraestrutura, estamos a aumentar o risco de que haja falhas, problemas, e que alguns desses problemas possam ser graves”, salientou Susana Fonseca, lembrando que a central nuclear está a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal e, por isso, o território nacional “está muito exposto” às consequências de um eventual desastre.
O “estabelecimento de um plano luso-espanhol de armazenamento e flexibilidade elétrica, devidamente financiado e calendarizado, que incida sobre as necessidades de estabilidade do sistema elétrico ibérico, a redução drástica da dependência do gás e alinhado com o calendário de encerramento de todas as centrais nucleares na península até 2035” é outra das reivindicações da Zero.









