O Parque Nacional do Zinave tornou-se o primeiro em Moçambique a albergar populações viáveis de rinocerontes-brancos e rinocerontes-negros, 40 anos após o desaparecimento, marco apontado pelas autoridades de conservação como sinal da recuperação da fauna.
De acordo com informação da organização a Peace Parks Foundation, que tem apoiado a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) de Moçambique neste processo, as duas espécies “já estão a reproduzir-se no parque”, localizado na província de Inhambane, sul do país, “após décadas de ausência de rinocerontes em território moçambicano”.
O Zinave acolhe atualmente 39 rinocerontes-brancos e 22 rinocerontes-negros, estes últimos considerados criticamente ameaçados de extinção, destaca a Peace Parks Foundation, recordando que nove fêmeas de rinocerontes-brancos foram translocadas esta semana para aquele parque, desde a África do Sul.
“Juntos, eles formam as primeiras populações fundadoras viáveis de ambas as espécies estabelecidas em um parque nacional moçambicano, com ambas as espécies já se reproduzindo e dando à luz após a introdução”, acrescenta.
Este desenvolvimento é apresentado como o culminar de uma década de trabalho de restauração ecológica e reforço da proteção da área conservada, anteriormente afetada pela guerra e pela caça furtiva em Moçambique.
“Há cerca de 10 anos, o Zinave era conhecido como parque silencioso, devido à redução drástica da fauna bravia provocada por anos de conflito armado”, recorda ainda a fundação que se dedica à conservação da natureza.
O projeto em curso incluiu ainda a criação de um “santuário de alta segurança para rinocerontes”, o reforço da capacidade operacional dos fiscais, sistemas de vigilância e medidas de proteção contra a caça furtiva no parque.
“Hoje, o Zinave é a primeira área de conservação de Moçambique com os ‘Big Five’ [leão, búfalo, leopardo, elefante e rinoceronte] e uma das mais relevantes histórias de recuperação de ecossistemas em África”, sublinha a Peace Parks Foundation, na nota, em que refere que desde 2015 já foram reintroduzidos 2.431 animais de 16 espécies distintas localmente, “permitindo restabelecer o equilíbrio ecológico e criar condições para o regresso dos rinocerontes”.
As entidades envolvidas defendem que a recuperação do parque demonstra os resultados de uma cooperação prolongada entre Governo, organizações de conservação, setor privado e comunidades locais.
“Isso é muito mais do que simplesmente transferir animais. Trata-se de restaurar o espaço para que a vida retorne e reconstruir uma das paisagens de conservação emergentes da África austral”, destaca a fundação.
O Parque Nacional do Zinave integra a Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, que liga Moçambique, África do Sul e Zimbabué, sendo o único em Moçambique que tem os “Big Five”. Ali podem ser encontrados ainda, entre outros animais, crocodilos, girafas, porcos-bravos, cabritos do mato, hipopótamos, impalas, cudos, inhalas, oribis, changos, pivas, bois-cavalo e zebras.
O parque tem também mais de 200 espécies arbóreas e 200 espécies de gramíneas, e conta com 408 mil hectares, tendo sido requalificado após a guerra civil moçambicana, que durou 16 anos.
Moçambique conta com 12 parques nacionais e áreas protegidas, e tem 5.500 espécies de flora e 4.271 espécies de vida selvagem terrestre.









