Zoológico britânico despede-se de “amado” rinoceronte Manyara que lutava contra doença prolongada

O rinoceronte Manyara foi eutanasiado no passado dia 2 de setembro no parque zoológico Paignton Zoo, no sudeste de Inglaterra, depois de um longo período de luta contra uma doença crónica.

Filipe Pimentel Rações

O rinoceronte Manyara foi eutanasiado no passado dia 2 de setembro no parque zoológico Paignton Zoo, no sudeste de Inglaterra, depois de um longo período de luta contra uma doença crónica.

De acordo com a informação partilhada pela instituição na rede social Facebook, a condição, não divulgada, que afetava o “amado” animal de 22 anos deixou de responder aos tratamentos. “Após um declínio nas suas condições que começava a afetar a sua qualidade de vida, a nossa equipa veterinária tomou a difícil, mas compassiva, decisão de eutanasiá-lo humanamente”, declara. As declarações de condolências multiplicaram-se nas redes sociais depois do anúncio.

Manyara era um rinoceronte-negro da subespécie Diceros bicornis michaeli, classificada como “Criticamente em Perigo” de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Nasceu a 18 de setembro de 2002 no Port Lympne Wild Animal & Safari Park, um zoológico na localidade inglesa de Hythe, na costa sudoeste do país. Foi transferido e realojado no Paignton Zoo em junho de 2010.

Manyara faria 23 anos no próximo dia 18 de setembro. Foto: Paignton Zoo.

Durante muitos anos aí viveu juntamente com uma fêmea da mesma subespécie, Sita, até ela falecer no ano passado aos 33 anos de idade, também fruto de doença prolongada. Sita chegou a esse zoo britânico no ano em que o companheiro nasceu, oriunda de um zoo em Berlim, ao abrigo do programa europeu de reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas.

Recorda o zoo que Manyara era “extremamente popular”, não apenas entre os tratadores mas também entre os visitantes, pois era um animal com uma “natureza incrivelmente gentil” que se combinava com “um espírito brincalhão”.

O macho nunca chegou a gerar descendência, mas desempenhou um importante papel enquanto “inestimável embaixador” de todos os rinocerontes-negros, “educando milhares de visitantes sobre a situação crítica dos rinocerontes na natureza e a necessidade urgente de ações de conservação”.

O zoológico de Paignton garante que o legado de Manyara continuará vivo “através das vidas daqueles que ele tocou”.

Estima-se que atualmente existam apenas cerca de 583 rinocerontes-negros Diceros bicornis michaeli adultos a viverem em regime selvagens, concentrando-se especialmente no Quénia, no oriente africano. Contudo, existe um núcleo pequeno mas em crescimento no norte da Tanzânia.

Em tempos, podiam ser encontrados também na Eritreia, na Etiópia, na Somália, no Sudão do Sul, no Sudão e no Uganda, mas a caça furtiva levou os rinocerontes-negros à extinção nesses países. Os animais foram, e continuam a ser nos locais onde persistem, caçados pelos seus chifres, que são vendidos nos mercados negros e são muito procurados para fins de medicina tradicional asiática.

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