O Zoomarine é um dos membros fundadores da AMERG – Aquatic Mammals Emergency Response Group –, uma nova rede internacional para dar resposta rápida e coordenada a emergências que envolvam mamíferos marinhos, como arrojamentos em massa, derrames de petróleo, desastres naturais e casos de animais órfãos ou feridos.
Promovida pela Associação Europeia para Mamíferos Aquáticos (EAAM), a AMERG surge para responder a “um cenário cada vez mais preocupante”, diz a instituição zoológica em comunicado.
De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza, 26% das espécies de mamíferos marinhos em todo o mundo estão atualmente ameaçadas, o que representa um aumento significativo face aos 15% registados em 1991.
Arrojamentos em massa, contacto com a atividade piscatória, colisões com embarcações, poluição e alterações climáticas são algumas das ameaças que se têm intensificado, exigindo “ação rápida, conhecimento técnico e coordenação internacional”, refere o Zoomarine.
Martin Boye, Presidente da EAAM, afirma que “é nossa responsabilidade, enquanto profissionais e instituições dedicadas aos mamíferos aquáticos, agir de forma rápida e colaborativa sempre que surgem emergências”.
“Esta iniciativa reforça a nossa capacidade de resposta eficaz, e, acima de tudo, permite fazer uma diferença real para os animais e ecossistemas que mais precisam de nós. As instituições que cuidam de golfinhos e outros mamíferos aquáticos desempenham um papel fundamental neste esforço. O seu conhecimento, infraestrutura e dedicação são insubstituíveis.”
A AMERG será mais do que uma mera força de resposta. Segundo as informações divulgadas, irá apostar na capacitação técnica e científica, promovendo formação, partilha de conhecimento e reforço da preparação local em regiões mais vulneráveis e onde os mamíferos marinhos enfrentam mais obstáculos à sua sobrevivência.
A rede da AMERG inclui já dezenas de parceiros de referência, como o Oceanogràfic (Espanha), Georgia Aquarium (EUA), Fundación Omacha (Colômbia), Sea World Abu Dhabi (EAU), African Aquatic Conservation Fund (Senegal), o Instituto Mamirauá (Brasil) e o Zoomarine (Portugal).
Uma rede global com presença portuguesa
Enquanto membro fundador da AMERG, o Zoomarine passa a integrar uma rede global de entidades que podem ser rapidamente ativadas em resposta a arrojamentos, acidentes, catástrofes naturais ou outras emergências que envolvam mamíferos marinhos, tanto em Portugal como no estrangeiro.
O papel do Zoomarine, informa a instituição portuguesa, inclui a mobilização de equipas técnicas altamente especializadas para o resgate e estabilização clínica dos animais afetados, a disponibilização das suas infraestruturas próprias para acolhimento, tratamento e reabilitação, bem como a colaboração na coordenação científica das operações no terreno, garantindo uma resposta integrada e eficaz em conjunto com os parceiros internacionais da rede.
Para João Neves, Diretor de Conservação do Zoomarine, “a integração do Zoomarine na AMERG reforça o nosso compromisso com uma conservação marinha assente na ciência, na experiência de terreno e na colaboração internacional. É também o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos anos, nomeadamente através do Porto d’Abrigo, hoje uma estrutura de referência nacional na reabilitação de mamíferos marinhos.”
“Perante ameaças crescentes à vida nos oceanos, é essencial garantir respostas rápidas e bem coordenadas, capazes de assegurar o bem-estar dos animais e de proteger a integridade dos ecossistemas. Acreditamos que só com ação qualificada e redes de cooperação eficazes conseguiremos responder com impacto aos desafios que se colocam à conservação marinha no século XXI, e a AMERG é exatamente essa resposta”, acrescenta o responsável.








