<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Ciência e Tecnologia &#8211; Green Savers</title>
	<atom:link href="https://greensavers.sapo.pt/temas/ciencia-e-tecnologia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 May 2026 10:03:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/01/gs-favicon-100x100.png</url>
	<title>Ciência e Tecnologia &#8211; Green Savers</title>
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Estudo mostra presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estudo-mostra-presenca-generalizada-de-microplasticos-nos-rios-mondego-e-vouga/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 10:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[microplásticos]]></category>
		<category><![CDATA[mondego]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[rios]]></category>
		<category><![CDATA[Vouga]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=297847</guid>

					<description><![CDATA[Liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), a equipa analisou microplásticos em suspensão na coluna de água destes dois rios, que foram detetados em todos os locais de amostragem.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Coimbra (UC) identificou a presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga, dois dos principais sistemas fluviais da região Centro de Portugal.</p>
<p class="text-paragraph">Liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), a equipa analisou microplásticos em suspensão na coluna de água destes dois rios, que foram detetados em todos os locais de amostragem, revelou hoje a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), num comunicado enviado à agência Lusa.</p>
<p class="text-paragraph">Os resultados da investigação “confirmam que a poluição por plásticos está amplamente disseminada, mesmo em ecossistemas de água doce no interior do território”.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo, que resulta numa colaboração entre a UC e o Indian Institute of Science Education and Research Kolkata, “identificou variações nos níveis de contaminação associadas a diferentes pressões antrópicas, incluindo atividades urbanas, turismo, agricultura e infraestruturas”.</p>
<p class="text-paragraph">De acordo com a FCTUC, a maioria das partículas detetadas apresentava dimensões inferiores a um milímetro, sendo as fibras o tipo mais comum.</p>
<p class="text-paragraph">“Entre os polímeros mais frequentes destacam-se o polietileno e o polipropileno, amplamente utilizados em embalagens e plásticos de uso único”.</p>
<p class="text-paragraph">Para além da quantificação da contaminação, a investigação incluiu uma avaliação do risco ecológico com base em índices internacionais de poluição e perigo.</p>
<p class="text-paragraph">“Apesar de concentrações globais moderadas, várias zonas dos rios Mondego e Vouga apresentaram níveis de risco entre baixo e potencialmente elevado, sobretudo devido à presença de partículas pequenas, mais facilmente transportadas e ingeridas por organismos aquáticos&#8221;.</p>
<p class="text-paragraph">A líder do estudo e investigadora do MARE e do Departamento de Ciências da Vida da UC Seena Sahadevan, citada no comunicado, afirmou que “este trabalho fornece informação de base importante sobre a contaminação por microplásticos em sistemas de água doce em Portugal e evidencia a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de mitigação”.</p>
<p class="text-paragraph">Como apontou a FCTUC, a investigação constitui uma das primeiras avaliações integradas de risco ecológico associadas a microplásticos em suspensão nos rios Mondego e Vouga, contribuindo com dados relevantes para a conservação de ecossistemas aquáticos e a gestão ambiental em Portugal.</p>
<p class="text-paragraph">A investigação contou ainda com a participação de Sarra Ben Tanfous, na qualidade de primeira autora, bem como dos investigadores Abhishek Mandal, Juliana Barros e Gopala Krishna Darbha.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Investigação mapeia pela primeira vez a vulnerabilidade dos peixes de água doce na Europa</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/investigacao-mapeia-pela-primeira-vez-a-vulnerabilidade-dos-peixes-de-agua-doce-na-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 11:21:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[peixes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=297793</guid>

					<description><![CDATA[Este trabalho, desenvolvido por uma equipa de investigadores do Laboratório Associado TERRA, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, representa um marco científico: é a primeira vez que uma análise de vulnerabilidade desta natureza é realizada a uma escala pan-europeia utilizando uma resolução espacial tão elevada.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os rios europeus albergam mais de 600 espécies nativas de peixes de água doce, mas cerca de metade destas espécies enfrenta sérios riscos de conservação. Num momento em que a pressão humana e as alterações climáticas ameaçam a integridade dos ecossistemas aquáticos, um novo <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/aqc.70387" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> publicado na revista <em>Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems</em> revela, com um detalhe nunca antes alcançado, quais as comunidades de peixes mais vulneráveis em todo o continente.</p>
<p>Este trabalho, desenvolvido por uma equipa de investigadores do Laboratório Associado TERRA, do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, representa um marco científico: é a primeira vez que uma análise de vulnerabilidade desta natureza é realizada a uma escala pan-europeia utilizando uma resolução espacial tão elevada. Ao contrário de estudos anteriores focados em grandes bacias hidrográficas, esta investigação utilizou as &#8220;Unidades de Restauro de Rios&#8221; (R2U), permitindo analisar de forma homogénea e detalhada.</p>
<p>“Aumentar a escala espacial da análise e utilizar uma resolução que permita identificar problemas ao nível das unidades de restauro (R2U) é crucial para desenhar estratégias de conservação eficazes”, destacam os autores, sublinhando que esta abordagem permite alinhar as metas de biodiversidade com as práticas de restauro local. Este estudo teve em conta 516 espécies nativa e calculou a vulnerabilidade da comunidade para mais de 16000 unidades de restauro.</p>
<p><strong>Sul da Europa em Alerta Vermelho</strong></p>
<p>Os resultados demonstram que as comunidades de peixes mais ameaçadas se concentram predominantemente nas biorregiões Mediterrânica e Anatoliana. As bacias hidrográficas das penínsulas Ibérica, Adriática e Balcânica, bem como o sul da Turquia, apresentam os índices de vulnerabilidade mais elevados. Esta fragilidade deve-se, em grande parte, à elevada taxa de endemismo (espécies que só existem naquelas regiões) e à distribuição geográfica restrita destas comunidades, que se encontram sob forte stress devido a alterações climáticas e pressões antropogénicas. Em contraste, as comunidades mais biodiversas foram encontradas na Europa Central, em bacias como a do Danúbio, Volga e Dnieper, embora a maior riqueza de espécies nestas zonas resulte, geralmente, num índice de vulnerabilidade menor em comparação com o sul da Europa.</p>
<p><strong>Ciência ao serviço das políticas europeias</strong></p>
<p>O estudo surge num contexto decisivo para a conservação da natureza, apoiando diretamente as metas da Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030 e a recém-aprovada Lei do Restauro da Natureza, que prevê a recuperação de 25.000 km de rios europeus para o seu estado de fluxo livre.</p>
<p>Ao integrar dados da Lista Vermelha da UICN com a base de dados RivFISH, a equipa oferece uma ferramenta fundamental para que decisores políticos e gestores possam priorizar intervenções onde a biodiversidade está mais ameaçada.</p>
<p>O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através do projeto &#8220;Dammed Fish&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Da biotecnologia marinha à saúde e cosmética: estudantes do IPLeiria desenvolvem projetos com potencial de aplicação real</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/da-biotecnologia-marinha-a-saude-e-cosmetica-estudantes-do-ipleiria-desenvolvem-projetos-com-potencial-de-aplicacao-real/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 07:02:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[biotecnologia marinha]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=297295</guid>

					<description><![CDATA[Projetos exploram compostos naturais e soluções inovadoras com impacto em áreas como a saúde, alimentação e indústria.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Algas marinhas, microrganismos e espécies naturais com potencial terapêutico estiveram no centro dos projetos desenvolvidos por estudantes finalistas da licenciatura em Biotecnologia da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM) do Politécnico de Leiria, em Peniche, que exploraram soluções inovadoras com aplicação nas áreas da saúde, cosmética e alimentação, foi divulgado em comunicado.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, os projetos foram desenvolvidos e apresentados no âmbito da unidade curricular de Projeto Interdisciplinar, resultando de vários meses de investigação experimental em laboratório, com o apoio de docentes e recurso a infraestruturas de investigação, como o CETEMARES, reforçando a ligação entre ensino, investigação e aplicação prática.</p>
<p>No total, foram apresentados nove projetos que refletem a diversidade da biotecnologia e a sua crescente relevância na valorização de recursos naturais e no desenvolvimento de soluções sustentáveis. Entre os temas abordados destacam-se o estudo de compostos bioativos com propriedades antimicrobianas, antioxidantes, antitumorais e neuroprotetoras, bem como a aplicação de extratos naturais em produtos cosméticos, alimentares e biomédicos.</p>
<p>Alguns dos projetos incidiram na valorização de espécies marinhas e invasoras, explorando o seu potencial como fonte de compostos com interesse científico e industrial, enquanto outros focaram-se no desenvolvimento de soluções inovadoras, como materiais biodegradáveis e filmes comestíveis para conservação alimentar.</p>
<p>A apresentação dos projetos reuniu estudantes, docentes, investigadores e membros da comunidade académica, promovendo a partilha de conhecimento científico e tecnológico. Para além dos resultados científicos, a iniciativa permitiu aos estudantes consolidar competências técnicas e laboratoriais, bem como desenvolver competências transversais como a autonomia, a resiliência e a comunicação científica, evidenciando a importância da componente prática na formação em Biotecnologia.</p>
<p>“Ao longo do semestre, foi evidente a evolução dos estudantes, que passaram a encarar o trabalho laboratorial com grande entusiasmo e envolvimento. Estes projetos refletem a consolidação de competências científicas e a capacidade de aplicar o conhecimento a desafios reais. Mais do que um ponto de chegada, este momento marca o início de um novo percurso profissional e científico para estes estudantes”, afirma Alexandra Cruz, coordenadora da licenciatura em Biotecnologia.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudo da Universidade de Aveiro sobre tratamento sustentável de águas residuais destacado em revista científica</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estudo-da-universidade-de-aveiro-sobre-tratamento-sustentavel-de-aguas-residuais-destacado-em-revista-cientifica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 13:01:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[águas residuais]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=297124</guid>

					<description><![CDATA[O artigo apresenta uma abordagem inovadora para a remoção de contaminantes farmacêuticos de águas residuais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo liderado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Química (DQ) da Universidade de Aveiro (UA) foi distinguido como Editor’s Choice Article na revista Separation and Purification Technology (Elsevier), um reconhecimento atribuído a trabalhos de elevada qualidade científica, relevância e impacto no respetivo domínio. O artigo apresenta uma abordagem inovadora para a remoção de contaminantes farmacêuticos de águas residuais, foi divulgado em comunicado.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, o artigo foi coordenado por Vânia Calisto e a sua equipa e apresenta uma abordagem inovadora para a remoção de contaminantes farmacêuticos de águas residuais. O trabalho incide sobre o Diclofenac, um fármaco amplamente utilizado e frequentemente detetado em ambientes aquáticos, cuja remoção continua a representar um desafio para os sistemas convencionais de tratamento de águas residuais.</p>
<p>Neste contexto, a investigação propõe o desenvolvimento de materiais compósitos sustentáveis, baseados em biocarvão obtido a partir de resíduos da indústria cervejeira e modificado com a enzima lacase. Os resultados evidenciam uma estratégia de dupla remoção que combina adsorção e degradação enzimática.</p>
<p>O artigo intitula-se “Biochar-laccase composites as dual-function materials for diclofenac removal via synergistic adsorption and enzymatic degradation” e contou com Hugo F. Rocha como primeiro autor e integrou ainda outras investigadoras do CESAM: Ângela Almeida, Goreti Pereira e Maria Rosário Domingues.</p>
<p>Para além da remoção eficaz do poluente original, os materiais desenvolvidos demonstram ainda capacidade de reter os produtos de transformação gerados durante o processo, ultrapassando limitações frequentemente associadas a tecnologias avançadas de tratamento.</p>
<p>Os resultados obtidos mostram uma remoção praticamente completa de Diclofenac em condições operatórias moderadas, bem como estabilidade de desempenho dos materiais produzidos ao longo de períodos prolongados (até 120 horas), reforçando o potencial de aplicação destes sistemas no tratamento avançado de águas residuais..</p>
<p>A distinção como Editor’s Choice Article &#8220;sublinha a relevância científica do trabalho e o seu contributo para o desenvolvimento de soluções sustentáveis, em linha com as exigências europeias relativas à remoção de micropoluentes em águas residuais urbanas&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estudo deteta microplásticos e químicos em aves marinhas subantárticas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estudo-deteta-microplasticos-e-quimicos-em-aves-marinhas-subantarticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 10:23:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[interncional]]></category>
		<category><![CDATA[microplásticos]]></category>
		<category><![CDATA[químicos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=297025</guid>

					<description><![CDATA[O estudo internacional, liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), detetou “microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos)”, alguns dos quais reconhecidos como disruptores endócrinos (que interferem no sistema hormonal).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Microplásticos e contaminantes químicos foram encontrados em aves marinhas que se reproduzem em regiões subantárticas como a Geórgia do Sul, revelou um estudo hoje divulgado.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo internacional, liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), detetou “microplásticos e compostos químicos associados à produção de plásticos (aditivos)”, alguns dos quais reconhecidos como disruptores endócrinos (que interferem no sistema hormonal).</p>
<p class="text-paragraph">Os investigadores analisaram sete espécies de aves marinhas subantárticas, algumas das quais classificadas como vulneráveis ou em perigo de extinção.</p>
<p class="text-paragraph">No total, foram identificadas 1.275 partículas resultantes da atividade humana nos tratos gastrointestinais dos animais analisados, havendo, em média, cerca de 17 partículas em cada.</p>
<p class="text-paragraph">A aluna de doutoramento em Biociências da FCTUC e do British Antarctic Survey (Reino Unido) Joana Fragão explicou que “as análises revelaram que a maioria das partículas identificadas era de origem sintética (59%), em particular plástico”.</p>
<p class="text-paragraph">Foram igualmente encontradas “partículas de origem natural, como celulose e algodão, mas de origem industrial, podendo conter compostos adicionais, como corantes, que podem persistir no ambiente”.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo analisou também a presença de compostos com potencial ação como disruptores endócrinos no fígado e no músculo das aves.</p>
<p class="text-paragraph">A coautora do estudo Filipa Bessa sublinhou que “os resultados evidenciam a presença simultânea de microplásticos e destes compostos em aves marinhas de regiões remotas, não tendo sido ainda estabelecida uma relação direta entre ambos nem avaliados os seus efeitos biológicos”.</p>
<p class="text-paragraph">Apesar disso, estes dados “contribuem para uma melhor compreensão da exposição da fauna marinha a diferentes tipos de poluentes”.</p>
<p class="text-paragraph">Os investigadores defenderam a necessidade de “reforçar medidas internacionais que visem a redução da poluição marinha e a proteção da biodiversidade”.</p>
<p class="text-paragraph">A criação de “programas de monitorização de plásticos e contaminantes químicos, mesmo em ecossistemas considerados isolados”, é uma das medidas que consideram importante tomar.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Instituto Superior Técnico debate futuro das cidades </title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/instituto-superior-tecnico-debate-futuro-das-cidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 10:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência e Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Superior Técnico]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=296624</guid>

					<description><![CDATA[Sob o mote “Construir o Futuro: desafios e soluções para a cidade do amanhã”, o evento terá lugar no Técnico Innovation Center e reunirá especialistas das áreas da engenharia, arquitetura, ambiente, políticas públicas e indústria, com o objetivo de refletir sobre a forma como se projetam, constroem e habitam as cidades contemporâneas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="relative basis-auto flex-col -mb-(--composer-overlap-px) pb-(--composer-overlap-px) [--composer-overlap-px:28px] grow flex">
<div class="flex flex-col text-sm">
<div class="" data-turn-id-container="request-WEB:08cc6f6e-18c6-4270-a13c-07019d5bcd58-27" data-is-intersecting="true">
<section class="text-token-text-primary w-full focus:outline-none [--shadow-height:45px] has-data-writing-block:pointer-events-none has-data-writing-block:-mt-(--shadow-height) has-data-writing-block:pt-(--shadow-height) [&amp;:has([data-writing-block])&gt;*]:pointer-events-auto R6Vx5W_threadScrollVars scroll-mb-[calc(var(--scroll-root-safe-area-inset-bottom,0px)+var(--thread-response-height))] scroll-mt-[calc(var(--header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]" dir="auto" data-turn-id="request-WEB:08cc6f6e-18c6-4270-a13c-07019d5bcd58-27" data-testid="conversation-turn-56" data-scroll-anchor="false" data-turn="assistant">
<div class="text-base my-auto mx-auto pb-10 [--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-xs,calc(var(--spacing)*4))] @w-sm/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-sm,calc(var(--spacing)*6))] @w-lg/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-lg,calc(var(--spacing)*16))] px-(--thread-content-margin)">
<div class="[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 group/turn-messages focus-visible:outline-hidden relative flex w-full min-w-0 flex-col agent-turn">
<div class="flex max-w-full flex-col gap-4 grow">
<div class="min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal outline-none keyboard-focused:focus-ring [.text-message+&amp;]:mt-1" dir="auto" tabindex="0" data-message-author-role="assistant" data-message-id="eb0b7959-f1fa-4680-96c3-5b768a1efe82" data-message-model-slug="gpt-5-3" data-turn-start-message="true">
<div class="flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden">
<div class="markdown prose dark:prose-invert w-full wrap-break-word light markdown-new-styling">
<p data-start="78" data-end="471">Num contexto marcado por fenómenos climáticos extremos, pressão sobre a habitação e aceleração da transformação digital, o Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente (DECivil) do <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Instituto Superior Técnico</span></span> promove, a 5 de maio, o Dia DECivil 2026, iniciativa que assinala os 45 anos do departamento e coloca no centro do debate os desafios das cidades e do território, foi divulgado em comunicado.</p>
<p data-start="473" data-end="809">Sob o mote “Construir o Futuro: desafios e soluções para a cidade do amanhã”, o evento terá lugar no Técnico Innovation Center e reunirá especialistas das áreas da engenharia, arquitetura, ambiente, políticas públicas e indústria, com o objetivo de refletir sobre a forma como se projetam, constroem e habitam as cidades contemporâneas.</p>
<p data-start="473" data-end="809"><strong>Inteligência artificial e inovação em destaque</strong></p>
<p data-start="863" data-end="1181">A sessão de abertura contará com uma intervenção de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">António Costa Silva</span></span>, ministro da Economia e do Mar, que abordará o papel da engenharia, da arquitetura e da inovação tecnológica no desenvolvimento de soluções sustentáveis, num contexto marcado pela crescente influência da inteligência artificial.</p>
<p data-start="1225" data-end="1619">O programa inclui ainda intervenções de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">João Brito Portela</span></span>, administrador da <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Brisa</span></span>, que irá abordar os desafios das infraestruturas rodoviárias em cenários de risco, e de <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Manuel Pinheiro</span></span>, professor catedrático do Técnico, que refletirá sobre o impacto dos eventos extremos e as novas exigências da mobilidade sustentável.</p>
<p data-start="1225" data-end="1619"><strong>Debate sobre o futuro das cidades</strong></p>
<p data-start="1660" data-end="2099">Um dos momentos centrais será uma mesa-redonda dedicada ao futuro urbano, reunindo especialistas como <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">José Manuel Viegas</span></span>, <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Helena Roseta</span></span>, <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Manuel Reis Campos</span></span>, <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Sónia Alves</span></span> e <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Stephan de Moraes</span></span>. O debate irá cruzar perspetivas técnicas, sociais e económicas sobre temas como habitação, mobilidade, desenvolvimento urbano e investimento.</p>
<p data-start="1660" data-end="2099"><strong>Quatro décadas a formar profissionais</strong></p>
<p data-start="2144" data-end="2364">Integrado nas comemorações do 45.º aniversário do DECivil, o evento pretende também assinalar o contributo do departamento na formação de profissionais e na produção de conhecimento nas áreas da engenharia e do ambiente.</p>
<p data-start="2366" data-end="2564">O programa inclui ainda a entrega de prémios e bolsas a estudantes, exposições de projetos académicos, sessões de divulgação científica e momentos de networking entre academia, empresas e sociedade.</p>
<p data-start="2566" data-end="2769" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Com mais de quatro décadas de atividade, o DECivil tem desempenhado um papel relevante na formação de especialistas responsáveis por infraestruturas e projetos estruturantes em Portugal e no estrangeiro.</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
<div class="z-0 flex min-h-[46px] justify-start"></div>
</div>
</div>
</section>
</div>
<div class="pointer-events-none -mt-px h-px translate-y-[calc(var(--scroll-root-safe-area-inset-bottom)-14*var(--spacing))]" aria-hidden="true"></div>
<div class="pointer-events-none translate-y-(--scroll-root-safe-area-inset-bottom) R6Vx5W_threadScrollVars min-h-(--gutter-remaining-height,0px) group-data-stream-active/scroll-root:h-[calc(var(--thread-response-height)-16*var(--spacing))]"></div>
</div>
</div>
<div id="thread-bottom-container" class="sticky bottom-0 z-10 group/thread-bottom-container relative isolate w-full basis-auto has-data-has-thread-error:pt-2 has-data-has-thread-error:[box-shadow:var(--sharp-edge-bottom-shadow)] md:border-transparent md:pt-0 dark:border-white/20 md:dark:border-transparent print:hidden content-fade single-line flex flex-col">
<div class="relative mx-auto h-0">
<div class="flex h-0 items-end justify-center motion-safe:transition-all motion-safe:delay-300 motion-safe:duration-300 group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:scale-50 group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:translate-y-2 group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:opacity-0 group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:pointer-events-none group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:duration-100 group-[:not([data-scroll-from-end])]/scroll-root:delay-0 absolute start-1/2 z-10 -translate-x-1/2 bottom-[calc(100%+6*var(--spacing)+var(--thread-scroll-to-bottom-banner-offset,0px))]"></div>
</div>
<div id="thread-bottom">
<div>
<div class="text-base mx-auto [--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-xs,calc(var(--spacing)*4))] @w-sm/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-sm,calc(var(--spacing)*6))] @w-lg/main:[--thread-content-margin:var(--thread-content-margin-lg,calc(var(--spacing)*16))] px-(--thread-content-margin)">
<div>
<div class="[--thread-content-max-width:40rem] @w-lg/main:[--thread-content-max-width:48rem] mx-auto max-w-(--thread-content-max-width) flex-1 mb-[var(--thread-component-gap,1rem)]">
<div class="flex justify-center empty:hidden"></div>
<div class="pointer-events-auto relative z-1 flex h-(--composer-container-height,100%) max-w-full flex-(--composer-container-flex,1) flex-col">
<div class="absolute start-0 end-0 bottom-full -z-1">
<div class="relative h-full w-full">
<div class="mb-2 flex flex-col gap-3.5 pt-2">
<div>
<aside class="flex w-full items-start gap-4 rounded-3xl border py-4 ps-5 pe-3 text-sm [text-wrap:pretty] lg:mx-auto dark:border-transparent shadow-xxs md:items-center border-token-border-default bg-token-main-surface-primary text-token-text-primary dark:bg-token-main-surface-secondary">
<div class="flex h-full w-full gap-3 md:items-center">
<div class="flex grow flex-col md:flex-row md:items-center md:justify-between md:gap-8">
<div class="flex flex-col"></div>
<div class="mt-2 flex min-w-fit flex-col gap-2 md:mt-0 md:items-center md:gap-4">
<div class="m-w-fit flex shrink-0 gap-2 pb-1 md:pb-0">
<div class="flex items-center justify-center"></div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</aside>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Larvas de peixes já nascem contaminadas com microplásticos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/larvas-de-peixes-ja-nascem-contaminadas-com-microplasticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 13:01:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[microplásticos]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[peixes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=296785</guid>

					<description><![CDATA[Um estudo liderado por investigadores do CIIMAR, publicado na revista Frontiers in Marine Science, demonstra pela primeira vez que as larvas de peixes em ambiente natural já contêm microplásticos imediatamente após a eclosão, antes mesmo de começarem a alimentar-se.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="580" data-end="1020">Os microplásticos estão hoje amplamente distribuídos no ambiente: na água, no ar, no solo e até no interior de organismos vivos, incluindo seres vivos marinhos. No entanto, a maioria dos estudos até à data tem-se focado em peixes adultos, entre eles os que servem a alimentação humana. A história destes microplásticos, porém, permanecia desconhecida: faltava perceber quando começa, exatamente, esta contaminação ao longo do ciclo de vida.</p>
<p data-start="1022" data-end="1391">Foi durante o seu doutoramento em Ciências do Meio Aquático no ICBAS que Sabrina Rodrigues, investigadora no grupo Ecologia de Peixes e Sustentabilidade do CIIMAR, recolheu larvas de peixes selvagens diretamente no meio natural e analisou a presença de microplásticos em todas as fases iniciais de desenvolvimento, incluindo o estádio mais precoce, logo após a eclosão.</p>
<p data-start="1393" data-end="1451"><strong data-start="1393" data-end="1451">Microplásticos em estádios precoces do desenvolvimento</strong></p>
<p data-start="1453" data-end="1820">Os resultados agora publicados pela equipa do CIIMAR no estudo <em data-start="1516" data-end="1655">“Are fish larvae contaminated before they start eating? First evidence of microplastic contamination in the yolk-sac of wild fish larvae”</em> mostram que estes microplásticos já estão presentes em larvas com saco vitelino, uma fase em que os organismos ainda não abriram a boca nem iniciaram a alimentação.</p>
<p data-start="1822" data-end="2166">“Os estudos anteriores sobre microplásticos em peixes limitavam-se, em grande parte, a organismos de laboratório ou centravam-se apenas em adultos que já se alimentavam ativamente. Este estudo foi diferente porque procurou perceber o que se passa durante todas as fases do desenvolvimento”, explica Sabrina Rodrigues, primeira autora do estudo.</p>
<p data-start="2168" data-end="2571">Os resultados indicam que a contaminação por microplásticos nesta fase não ocorre por ingestão, mas provavelmente por transferência da mãe para a descendência, através do ovo ou do vitelo — a substância nutritiva no ovo, composta sobretudo por proteínas e gorduras, que alimenta o embrião durante o seu desenvolvimento. Esta via de exposição nunca tinha sido, até agora, documentada em peixes selvagens.</p>
<p data-start="2573" data-end="2814">“Enquanto investigadora, encontrar microplásticos em larvas que nunca tinham aberto a boca foi simultaneamente fascinante e preocupante. Percebemos que a poluição por plástico atinge os peixes desde o início da sua vida”, acrescenta Sabrina.</p>
<p data-start="2821" data-end="2858"><strong data-start="2821" data-end="2858">Uma relação direta com o ambiente</strong></p>
<p data-start="2860" data-end="3245">O estudo liderado pelas investigadoras do CIIMAR Sandra Ramos e Marisa Almeida verificou ainda que a quantidade de microplásticos nas larvas reflete diretamente os níveis deste poluente presentes no ambiente envolvente. Ou seja, quanto maior a concentração de microplásticos na água, maior a contaminação nas larvas, independentemente da espécie, tamanho ou estádio de desenvolvimento.</p>
<p data-start="3247" data-end="3276"><strong data-start="3247" data-end="3276">Uma nova via de exposição</strong></p>
<p data-start="3278" data-end="3670">“Os nossos resultados abrem uma nova linha de investigação, nomeadamente sobre a forma como os microplásticos podem ser transmitidos dos adultos para a sua descendência, como a saúde dos peixes pode ser afetada desde essas fases iniciais e o que isso significa para os ecossistemas marinhos e a segurança dos produtos do mar”, refere Sandra Ramos, abrindo horizontes para investigação futura.</p>
<p data-start="3672" data-end="3948">Com este trabalho levantam-se assim novas questões científicas relevantes: quais são os impactos desta exposição precoce no desenvolvimento, crescimento e sobrevivência dos peixes? E de que forma esta contaminação inicial pode propagar-se ao longo da cadeia alimentar marinha?</p>
<p data-start="3950" data-end="4310">Ao demonstrar que a exposição a microplásticos começa mais cedo do que se pensava, o estudo amplia a compreensão sobre a vulnerabilidade dos organismos marinhos e “reforça a necessidade de reduzir a poluição plástica nos oceanos numa altura em que o público já parece ter-se tornado insensível às notícias sobre a poluição por plástico”, remata Marisa Almeida.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Em tempos de guerra e crise, a Ciência “é a primeira coisa a ser descartada e isso preocupa-me muito”, diz Nuno Ferrand, diretor do CIBIO</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/em-tempos-de-guerra-e-crise-a-ciencia-e-a-primeira-coisa-a-ser-descartada-e-isso-preocupa-me-muito-diz-nuno-ferrand-diretor-do-cibio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 07:40:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=296525</guid>

					<description><![CDATA[À margem de uma conferência sobre biodiversidade promovida pela Fundação BNP Paribas Portugal, no dia 22 de abril, em Lisboa, o investigador e professor catedrático da Universidade do Porto contou à Green Savers que a situação global do financiamento da Ciência “não é boa”, ainda que o quadro seja “heterogéneo”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de financiamento e de priorização política da investigação científica deve ser motivo de preocupação, avisa Nuno Ferrand, diretor do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO).</p>
<p>À margem de uma <a href="https://greensavers.sapo.pt/fundacao-bnp-paribas-portugal-traz-a-biodiversidade-para-o-centro-da-conversa-publica-conhecimento-cientifico-e-absolutamente-critico-diz-presidente/" target="_blank" rel="noopener">conferência sobre biodiversidade promovida pela Fundação BNP Paribas Portugal</a>, no dia 22 de abril, em Lisboa, o investigador e professor catedrático da Universidade do Porto contou à Green Savers que a situação global do financiamento da Ciência “não é boa”, ainda que o quadro seja “heterogéneo”.</p>
<p>Em referência aos Estados Unidos da América (EUA), Ferrand disse-nos que “naquela que ainda é a maior potência mundial, a situação é muito má”, lembrando que “a Administração Trump é rigorosamente responsável por cortes substanciais no financiamento da atividade científica a todos os níveis”, desde a eliminação de apoios públicos a universidade e centros e investigação até à redução dos orçamentos de agências e outras entidades públicas, como a National Science Foundation ou o National Institute of Health.</p>
<p>“Como grande motor da investigação mundial que ainda é, estou muito preocupado com essa situação e com o que isso poderá significar para o resto do mundo”, confessa.</p>
<p>Contudo, a China tem vindo a investir muito em investigação científica, porventura tentando ocupar o espaço que vai sendo deixado pelo recuo dos EUA, e Ferrand acredita mesmo que o país asiático não está muito longe de vir a tornar-se a próxima maior potência científica do mundo.</p>
<p>Na Europa, estamos numa “situação difícil”, explicou o investigador, não só pelas ondas de choque anti-Ciência que vêm do outro lado do Atlântico, mas também por causa da conjuntura geopolítica instável e conturbada que deixa pouco espaço para dar prioridade à produção de conhecimento científico. Ou seja, em tempos de crise, financiamentos para a Ciência, e também para outras áreas, como a conservação da biodiversidade e do mundo natural, são dos primeiros a ser cortados e canalizados para, por exemplo, alívios dos preços da energia e compra de armamento bélico.</p>
<p>“Quando se diz que é preciso investir mais dinheiro em armamento, a primeira coisa a sofrer é a Cultura, é o Conhecimento, é a Ciência. É a primeira coisa a ser descartada e isso preocupa-me muito a nível europeu”, disse Ferrand. O académico, ecoando outros pelo continente fora, considera fundamental duplicação o orçamento da próxima edição do programa Horizon (de 2028 a 2034), instrumento-chave da União Europeia (UE) para financiar projetos de investigação e a inovação.</p>
<p>“Mas não estou a ver condições nenhumas para que isso venha a acontecer, tendo em consideração todas as pressões que são feitas para outro tipo de atividades”, lamentou, recordando o caso do programa LIFE. Embora considerado indispensável para os esforços de proteção ambiental, das alterações climáticas à biodiversidade, passando pela energia e uma série de outras áreas, o LIFE tem um futuro, pelo menos para já, incerto, com propostas para desmembrá-lo e integrá-lo noutros programas com focos mais economicistas. Ambientalistas e académicos já alertaram para os perigos de diluir o LIFE noutros programas de financiamento, incluindo a subordinação do financiamento do conhecimento a interesses económicos e empresariais.</p>
<p>Em Portugal, a situação de apoio público à Ciência não é melhor.</p>
<p><strong>A Ciência é prioridade política?</strong></p>
<p>Apesar de uma evolução considerável nos últimos 40 anos, o sistema científico nacional tem ainda “muitas fragilidades”, embora a Ciência de assinatura portuguesa percorra o mundo, faça capas de revistas de renome global, como a Science e a Nature, e faça avançar o conhecimento da humanidade. Mesmo assim, disse-nos Nuno Ferrand, nunca foi e continua a não ser uma prioridade real (não apenas retórica) de sucessivos governos.</p>
<p>Todos os anos, entre 2.000 e 2.500 doutorados saem das universidades, mas, sem apoios públicos para promover e tornar menos precárias as carreiras científicas, de pouco serve.</p>
<p>“Por exemplo, nos governos de António Costa, durante muito tempo falou-se em chegar aos 3% do PIB em termos de investimento na área científica, até 2030. Falamos disso desde 2015, já passaram 10 anos e não houve qualquer evolução”, criticou Ferrand. Atualmente, a despesa com a investigação científica ronda os 1,69%.</p>
<p>Regressando ao quadro europeu, o biólogo falou do caso do lobo na Europa, cujo <a href="https://greensavers.sapo.pt/especialistas-alertam-para-preocupante-situacao-do-lobo-e-apelam-a-portugal-para-manter-atual-regime-de-protecao-legal/">estatuto de proteção foi reduzido</a> a Convenção de Berna, e depois também na Diretiva Habitats da UE. Lembrando o caso “paradigmático” do pónei preferido de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, ter sido morto por um lobo na sua quinta na Alemanha, Ferrand acredita que a emoção e outras agendas frequentemente se sobrepõem às evidências científicas.</p>
<p>Para o investigador, isso significa que a Ciência só é ouvida pelos políticos “quando dá jeito” e quando não se coloca no caminho de interesses económicos. “Estamos longe de ter alcançado uma maturidade no relacionamento entre a evidência que no chega do conhecimento e da Ciência e aquilo que é a decisão política”, declarou.</p>
<p>Ainda assim, confessou-nos algum otimismo, dizendo que “na Europa, de forma geral, tem havido um progresso acentuado relativamente a decisões e construções políticas que são suportadas pela Ciência”. O Pacto Ecológico Europeu é disso exemplo, referiu, embora reconheça que também esse instrumento basilar está a sofrer, sobretudo com o desvio de dinheiros para esforços relacionados com a defesa.</p>
<p>Apesar de todos esses obstáculos, Ferrand considera que a Europa é o melhor exemplo, a nível mundial, de uma aproximação e articulação frutuosa entre Ciência e Sociedade.</p>
<p><strong>Falta visão a quem governa</strong></p>
<p>Em Portugal, Nuno Ferrand, do CIBIO e do programa Biopolis, considera haver falta de visão política no que toca à biodiversidade, dizendo que “estamos muito longe de uma situação ideal”.</p>
<p>“Falta visão aos nossos decisores e aos nossos políticos. Em particular, uma instituição como o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas devia ter hoje um protagonismo e uma capacidade de ação que não tem de todo”, salientou.</p>
<p>Reconhecendo que o problema não é de agora e que se arrasta há vários anos, Ferrand disse, no entanto, que tem vindo a agravar-se. “Por exemplo, termos hoje grandes parques naturais, ou mesmo um parque nacional, sem a figura de um diretor é uma coisa absolutamente incompreensível, não cabe na cabeça de ninguém”, lançou o académico.</p>
<p>Para Nuno Ferrand, o problema resulta de uma combinação de vários fatores, como a falta de prioridade política dada à Ciência, neste caso na área da biodiversidade, e também uma “falta geral de compreensão e de comunicação” da esfera política com o conhecimento que é produzido e emana das universidades e centros de investigação.</p>
<p>Disse-nos o catedrático que para proteger a biodiversidade não basta desenhar linhas num mapa e chamar-lhes “áreas protegidas” sem os meios necessários para a sua efetiva proteção e conservação.</p>
<p>“Para mim, é absolutamente incompreensível que todos os governos, desde há muito tempo, tratem assim a gestão e a conservação da biodiversidade num dos países da Europa que mais biodiversidade tem e que mais responsabilidade tem nessa área”, declarou.</p>
<p>Para amplificar as vozes da Ciência e o conhecimento que elas transmitem, Ferrand considera ser imprescindível juntar à mesma mesa cientistas, governantes, empresários e organizações da sociedade civil, para, em conjunto, identificarem problemas, partilharem conhecimento e recursos e conceberem soluções resultantes de perspetivas diversificadas.</p>
<p>Além de tudo isso, é preciso voltar a aproximar as pessoas do conhecimento, desenvolver e estimular o sentido crítico e a curiosidade pelo mundo em volta.</p>
<p>“Temos que ter cidades mais verdes, temos que ter cidades mais biodiversas, temos que ter programas de difusão do conhecimento que permitam chegar, desde cedo, a todos os miúdos nas escolas e nos liceus”, defendeu Nuno Ferrand.</p>
<p>“Temos de usar todas as ferramentas para evitar aquilo que já é muito notório, a dissociação progressiva entre as pessoas e o mundo natural. Isso é um grande problema.”</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Onda de calor marinha causou surto viral que matou mais de uma centena de meros nos Açores em 2024</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/onda-de-calor-marinha-causou-surto-viral-que-matou-mais-de-uma-centena-de-meros-nos-acores-em-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 15:03:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Açores]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Meros]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[share]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=295873</guid>

					<description><![CDATA[Embora entre 2005 e 2025 tenham sido registadas várias ondas de calor marinhas nos Açores, foi entre 2023 e 2024 que se constataram os eventos com maior intensidade e frequência no arquipélago. Só em 2024, ocorreram cinco ondas de calor marinhas na região, com duas delas a durar mais de 100 dias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em agosto de 2024, uma onda de calor marinha nos Açores, que levou a temperatura da superfície do mar a uns sem precedentes 27,3 graus Celsius, espoletou um surto viral que matou mais de uma centena de meros (<em>Epinephelus marginatus</em>), representando uma pressão significativa para essa espécie ameaçada.</p>
<p>Embora entre 2005 e 2025 tenham sido registadas várias ondas de calor marinhas nos Açores, foi entre 2023 e 2024 que se constataram os eventos com maior intensidade e frequência no arquipélago. Só em 2024, ocorreram cinco ondas de calor marinhas na região, com duas delas a durar mais de 100 dias.</p>
<p>As ondas de calor no mar, tal como em terra, podem agravar ainda mais as ameaças que os animais já enfrentam, com a perda de habitat e a sobre-exploração.</p>
<p>Um grupo de cientistas que tem acompanhado de perto estes fenómenos, liderado pelo instituto de Ciências Marinhas da Universidade dos Açores – OKEANOS, em colaboração com o Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), em Itália, diz que é muito provável que as ondas de calor marinhas de 2024 tenham criado as condições favoráveis ao surgimento de um surto de necrose nervosa viral (NNV), causada por um vírus que pertence ao género <em>Betanodavirus</em>, da família Nodaviridae.</p>
<p>Esse vírus afeta tecidos nervosos dos animais infetados, especialmente a medula espinal, o cérebro e a retina, o que leva à perda de capacidades motoras e de visão. Num artigo publicado em dezembro do ano passado na revista ‘<a href="https://www.frontiersin.org/journals/marine-science/articles/10.3389/fmars.2025.1712250/full" target="_blank" rel="noopener">Frontiers in Marine Science</a>’, os investigadores dizem que foram reportados, entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, 161 meros e também um badejo (<em>Mycteroperca fusca</em>) com sinais de NNV.</p>
<p>Desse conjunto, 70 peixes foram observados ainda vivos à superfície, 57 mortos e arrojados em áreas costeiras, 14 a flutuarem mortos e três vivos no leito marinho. Os animais vivos encontrados a flutuar à superfície apresentavam sinais consistentes com NNV, como natação em círculos, perda de equilíbrio, letargia e incapacidade para manter o corpo numa posição normal.</p>
<div style="width: 640px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-295873-1" width="640" height="480" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Nodavirosi-in-cernia-Trim.mp4?_=1" /><a href="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Nodavirosi-in-cernia-Trim.mp4">https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Nodavirosi-in-cernia-Trim.mp4</a></video></div>
<h6>Um dos meros com sinais de necrose nervosa viral que a equipa encontrou no leito marinho açoriano. Vídeo cedido por: Inês Gomes.</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dizem os cientistas que este é o primeiro surto de NNV detetado no Atlântico Norte nesta espécie. À Green Savers, Inês Gomes, investigadora do Okeanos e primeira autora do estudo, explica que, embora a NNV seja comum em contextos de aquacultura que os peixes selvagens possam atuar como reservatórios, são “extremamente raros” relatos de surtos desse vírus em populações selvagens de peixes no Atlântico Norte.</p>
<p>Como tal, diz-nos a cientista que “é muito provável que, de facto, este seja o primeiro surto de NNV registado nos Açores”, especialmente porque, como causa grandes níveis de mortalidade em meros, se tivesse acontecido antes teria sido notado.</p>
<p>“A nossa equipa tem mais de 30 anos de monitorização costeira nos Açores e durante esse tempo não recebeu relatos de mortalidade em massa de meros, o que sugere fortemente que este é um evento novo”, afirma Inês Gomes. A investigadora destaca ainda que a grande maioria dos exemplares mortos tinha mais de 70 centímetros, sendo, portanto, indivíduos adultos e reprodutores, o que pode amplificar o impacto na população local.</p>
<figure id="attachment_295901" aria-describedby="caption-attachment-295901" style="width: 400px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-295901 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Ines-Gomes-e1776181089732.jpg" alt="" width="400" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-295901" class="wp-caption-text">Inês Gomes, investigadora do Okeanos.</figcaption></figure>
<p>Anna Toffan, responsável pelo laboratório de referência nesta doença e que também assina o artigo, acrescenta que análises moleculares reforçam a ideia de que se trata realmente de um evento recente e novo. A investigadora do IZSVe diz-nos que esses estudos apontam para uma “recente e única, ainda que desconhecida, fonte de infeção”, ao invés de um vírus que está em circulação há muito tempo.</p>
<p>Esta é também a primeira vez que se deteta NNV em badejos. Embora se trate apenas de um animal, o facto de se ter confirmado que a doença foi a causa da morte é bastante relevante. “Uma vez que o badejo é menos comum nos Açores do que o mero, mesmo um caso é importante, uma vez que mostra que o vírus está presente nesta espécie”, salienta Inês Gomes.</p>
<p>Defende a investigadora que isso torna clara a necessidade de uma “monitorização rigorosa” das comunidades de peixes costeiros, permitindo acompanhar a sua dinâmica e antecipar eventuais surtos.</p>
<p><strong>Ondas de calor como “gatilho”</strong></p>
<p>Uma das principais conclusões desta investigação é que o aumento repentino e significativo da temperatura do mar, causado por ondas de calor marinhas, serviu como “gatilho” para o surto de NNV. Anna Toffan explica que “água invulgarmente quente favorece a replicação do vírus” e causa stress nos peixes.</p>
<p>O vírus responsável por esta doença pode, inclusivamente, estar já a circular nas águas marinhas e até estar presente nos peixes, sem que haja sinais evidentes de doença. Aliás, a NNV foi já detetada em mais de 70 espécies de peixes e indivíduos selvagens podem mesmo servir como reservatórios naturais do vírus. No entanto, quando a temperatura do mar sobe rapidamente, o vírus consegue multiplicar-se de forma mais acelerada, “sobrecarregando o sistema imunitário do hospedeiro”, diz Toffan.</p>
<p>“Os peixes podem estar especialmente vulneráveis no final do ciclo reprodutivo, quando estão já fisiologicamente stressados e as suas reservas de energia são baixas”, detalha a investigadora. No entanto, detetar eventos de mortalidade massiva em juvenis ou larvas num ambiente tão vasto quando é o marinho não é nada fácil, pelo que, mesmo que tais eventos aconteçam, podem passar despercebidos.</p>
<figure id="attachment_295879" aria-describedby="caption-attachment-295879" style="width: 2560px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-295879 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1843" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-scaled.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-300x216.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-1024x737.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-768x553.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-1536x1106.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-2048x1475.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Foto2-600x432.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /><figcaption id="caption-attachment-295879" class="wp-caption-text">Foram realizadas necropsias em 40 meros mortos. Foto cedida por: Inês Gomes.</figcaption></figure>
<p>Toffan assegura, no entanto, que o vírus que causa da NNV não aparece por causa de águas mais quentes. O vírus pode já estar a circular na água ou estar nos peixes, mas numa espécie de equilíbrio. As ondas de calor é que criam as condições ideias para que esse equilíbrio se perca, para a disseminação do vírus e, assim, para que os sinais de doença sejam mais facilmente detetados.</p>
<p>A equipa percebeu também que nem todo o arquipélago dos Açores foi afetado da mesma forma pelo surto de NNV. De acordo com os dados recolhidos, os grupos central e ocidental foram os mais afetados, com o maior número de meros mortos. Isso, apesar de as ondas de calor marinhas terem sido registadas praticamente em todas as ilhas açorianas.</p>
<p>Então, o que pode explicar que surto tenha apenas sido detetado nos grupos central e ocidental e não no oriental? Inês Gomes, do Okeanos, diz que a diferença poderá estar relacionada com a duração das ondas de calor marinhas, que variou entre os grupos de ilhas. Outro fator que considera relevante é a possível não chegada do vírus a algumas ilhas. Mesmo quando está presente, a sua propagação depende da densidade de hospedeiros, como o mero, explica, sendo que populações mais reduzidas poderão ter limitado a transmissão e o impacto do surto.</p>
<p>Nas Flores, no grupo ocidental, foi registada uma onda de calor marinha prolongada em 2024, que durou 73 dias, entre junho e agosto, enquanto no Corvo registou-se sete ondas de calor marinhas só nesse ano.</p>
<p>Inês Gomes sugere que as diferenças encontradas podem também ser explicadas pela densidade de meros. “Por exemplo, a Terceira [onde não se detetou nenhum caso] e São Miguel têm a maior densidade populacional humana dos Açores, com maior pressão da pesca e outros fatores de stress costeiros”, explica a investigadora. “Esses fatores podem ter já reduzido os números de meros e a densidade local, fazendo com que seja menos provável que o vírus se espalhe”, acrescenta, reconhecendo, no entanto, que é preciso mais trabalho de investigação para que se possa realmente conseguir perceber a origem do vírus e o porquê dessas diferenças entre os vários grupos de ilhas.</p>
<p><strong>Origens (para já) desconhecidas</strong></p>
<p>A doença NNV é causada por vírus conhecidos como betanodavírus. De entre esses, o <em>Betanodavirus epinepheli</em>, ou RGNNV, é o genótipo mais amplamente distribuído e o que frequentemente está associado a maior virulência.</p>
<p>Sabe-se que é capaz de infetar uma série de espécies marinhas de águas temperadas, incluindo meros e outras espécies do género <em>Epinephelus</em>, o robalo (<em>Dicentrarchus labrax</em>), a perca-gigante (<em>Lates calcarifer</em>), o calafate (<em>Umbrina cirrosa</em>) e outros, do Mediterrâneo à Ásia, passando pela região do Indo-Pacífico.</p>
<p>Há quase 20 anos que se tem vindo a documentar casos de mortalidade de meros e outros <em>Epinephelus</em> no Mediterrâneo associada a infeções de RGNNV em várias zonas desse mar, que é considerado o que mais rapidamente está a aquecer no contexto da crise climática. Esta investigação revela agora que eventos de mortalidade massiva causados por surtos de NNV estão também a acontecer no Atlântico Norte.</p>
<p>No entanto, e apesar de poder haver algumas semelhantes com o que se passa no Mediterrâneo, os cientistas dizem que não há, para já, dados suficientes relativos ao Atlântico Norte para traçar uma comparação entre as duas regiões. “Isso significa que não temos dados suficientes para inferir a origem da infeção” na área atlântica, explica Anna Toffan.</p>
<figure id="attachment_295902" aria-describedby="caption-attachment-295902" style="width: 434px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-295902 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6440.jpg" alt="" width="434" height="636" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6440.jpg 434w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6440-205x300.jpg 205w" sizes="(max-width: 434px) 100vw, 434px" /><figcaption id="caption-attachment-295902" class="wp-caption-text">Anna Toffan, responsável pelo laboratório de referência na doença NNV, investigadora do Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe) e coautora do artigo.</figcaption></figure>
<p>Ainda assim, há hipóteses em cima da mesa. Uma delas tem a ver com a água que os navios transportam nos lastros, que serve para aumentar a estabilidade das embarcações, e que recolhem num local e libertam noutro. Essas águas, diz a investigadora, podem conter “minúsculos organismos, como vírus”, que, dessa forma, são transferidos, ainda que sem intenção, de uma local para o outro.</p>
<p>“Outra potencial via é através de hospedeiros selvagens, como outras espécies de peixes altamente móveis, que podem transportar o vírus ao longo de grandes distâncias”, avança a cientista do IZSVe.</p>
<p><strong>Um futuro ainda mais incerto</strong></p>
<p>De acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza, os meros estão classificados como “Em Perigo” na Europa e no Mediterrâneo, embora “Vulneráveis” a nível global.</p>
<p>Entre as principais ameaças à espécie estão a captura excessiva para fins comerciais e recreativos, mas também outros fatores que a tornam ainda mais suscetível ao risco de extinção. Os meros, embora possam viver até aos 50 anos, só atingem a maturidade sexual entre os cinco e os sete anos de idade, o que faz com que as populações podem ter dificuldade em compensar os impactos da captura.</p>
<p>Com as alterações climáticas a avançarem rapidamente, o aquecimento dos oceanos vem lançar uma camada de pressão acrescida sobre os meros, bem como sobre muitas outras espécies marinhas.</p>
<p>“Oceanos mais quentes podem aumentar a pressão sobre as populações de meros”, avisa Inês Gomes. “As ondas de calor marinhas podem tornar os peixes mais vulneráveis a doenças, mas também afetar o seu comportamento, o uso do habitat e a reprodução”, explica a investigadora.</p>
<h6></h6>
<p>“Uma vez que os meros crescem e amadurecem lentamente, as populações recuperam lentamente se se perderem muitos indivíduos”, avisa, pelo que defende que “proteger as populações e reduzir outras pressões será importante” para ajudá-los a lidar com as rápidas mudanças que estão a transformar os ambientes em que vivem.</p>
<p>Enquanto predadores, alimentando-se de peixes mais pequenos, de caranguejos e de polvos, por exemplo, os impactos de ondas de calor marinhas, como surtos virais, nas populações de meros podem repercutir-se por toda a teia trófica.</p>
<p>Enquanto predadores de topo, os meros alimentam-se de peixes, crustáceos e cefalópodes. Neste contexto, alterações ambientais associadas a ondas de calor marinhas, incluindo a ocorrência de surtos virais, podem gerar efeitos em cascata na teia trófica, afetando o equilíbrio do ecossistema”, explica Pedro Afonso, também do Okeanos e coautor do artigo. “Ao longo do tempo, isto pode levar a alterações na estrutura da comunidade e no equilíbrio geral do sistema”, acrescenta.</p>
<p>As ondas de calor são em grande medida provocadas pelo aquecimento do planeta gerado pelas alterações climáticas. Por isso, reduzir significativamente as emissões globais de gases com efeito de estufa seria a forma mais eficaz de mitigar os impactos nos meros, bem como noutras espécies. Mesmo assim, se de hoje para amanhã as emissões parassem, a Terra continuaria a aquecer ainda durante algum tempo, por causa da inércia do sistema climático.</p>
<p>Ainda assim, há coisas que se podem fazer e que podem ter efeitos positivos na espécie.</p>
<p>“Proteger os seus habitats e criar zonas interditas à pesca (áreas marinhas protegidas) em locais de reprodução, reduzir a sobre-pesca e manter um olhar atento sobre surtos de doenças como a NNV” são tudo “ações locais que podem fazer uma diferença real”, diz Pedro Afonso.</p>
<p>“Populações saudáveis e intactas têm muito mais probabilidades de sobreviverem a fatores de stress e de recuperarem posteriormente”, refere o cientista.</p>
<figure id="attachment_295903" aria-describedby="caption-attachment-295903" style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-295903 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedro-afonso-e1776181185316.png" alt="" width="256" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-295903" class="wp-caption-text">Pedro Afonso, investigador do Okeanos, coautor do estudo e responsável pelo programa de monitorização costeira &#8211; MoniCO. Foto: Okeanos / Facebook.</figcaption></figure>
<p>Além da sua importância ecológica, os meros são também uma espécie altamente valorizada em termos comerciais e recreativos. É por isso que o surto de NNV pode ter “sérios impactos” na pesca e no turismo de mergulho.</p>
<p>Para Pedro Afonso, “perdas repentinas de meros adultos podem reduzir significativamente a biomassa da espécie e atrasar a recuperação das populações”.</p>
<p>Com isso em mente, e graças ao trabalho científico feito sobre os meros nessa região, o Governo dos Açores declarou, em setembro de 2024, a <a href="https://portal.azores.gov.pt/documents/37086/0/Portaria+n.%C2%BA+83-B+2024+de+27+de+setembro+de+2024.pdf/f531c6fa-60b0-2e49-0e1c-6c7ffdeccb0f?t=1736171596376" target="_blank" rel="noopener">proibição da pesca</a>, comercial e lúdica, dessa espécie em águas açorianas “por motivos de interesse público”.</p>
<p>A interdição ainda está em vigor, algo que Pedro Afonso e a equipa consideram ser “crucial” até que uma nova avaliação científica permita reavaliar o estado da população de meros nos Açores. “Para assegurar isso, é urgente que o governo regional reconheça o valor de programas de monitorização costeira, especialmente num mundo em que as condições se alteram rapidamente”, diz o investigador.</p>
<p>“Tais medidas são essenciais para proteger esta e outras espécies vulneráveis, bem como os habitats costeiros, em particular num destino cada vez mais turístico como é os Açores”, acrescenta.</p>
<p>Apesar de algumas pessoas poderem achar que têm um aspeto pouco amigável, os meros são animais curiosos e tranquilos, e são vários os relatos de meros que se aproximam de mergulhadores e que interagem com eles. Há até quem diga que criam mesmo laços com os visitantes humanos.</p>
<p>Com vidas longas, se tal lhes for permitido, e com um crescimento lento, os meros são peixes que tendem a não afastar-se muito dos recifes que conhecem. Essa forte ligação ao habitat faz com que sejam uma espécie emblemática e relativamente fácil de observar, mas, também por isso, especialmente suscetível a alterações nos mundos marinhos em que vivem e às pressões que os humanos exercem sobre eles.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		<enclosure url="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/04/Nodavirosi-in-cernia-Trim.mp4" length="6961810" type="video/mp4" />

			</item>
		<item>
		<title>Estudo identifica 27 medidas para recuperar rios europeus</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estudo-identifica-27-medidas-para-recuperar-rios-europeus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 08:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência em Português]]></category>
		<category><![CDATA[degradação]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[rios]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=295919</guid>

					<description><![CDATA[Com contributos de especialistas de 45 países, o estudo identifica 27 prioridades fundamentais para recuperar os ecossistemas fluviais, incluindo o reforço da biodiversidade, a melhoria do funcionamento dos ecossistemas e a definição de critérios claros para orientar intervenções.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os rios europeus enfrentam um declínio acelerado. Mais de um milhão de barreiras fragmentam os cursos de água, cerca de 90% das planícies de inundação estão degradadas e menos de metade dos rios cumpre os objetivos da Diretiva-Quadro da Água. Apesar das metas definidas pela nova Regulação de Restauro da Natureza, a implementação no terreno continua a ser um desafio.</p>
<p>Um novo <a href="https://www.nature.com/articles/s43247-026-03428-9" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> internacional, publicado na revista <em>Nature Communications Earth &amp; Environment</em>, apresenta um roteiro prático que liga diretamente o conhecimento científico à tomada de decisão política, oferecendo orientações concretas para acelerar ações de restauro ecológico em toda a Europa. A investigadora Teresa Ferreira, ecóloga fluvial e Presidente do Conselho de Coordenadores do Laboratório Associado TERRA, integra a equipa de autores deste trabalho.</p>
<p>“As estratégias de restauro não podem ser universais, vagas e destemporalizadas — têm de ser rapidamente implementadas e adaptadas aos contextos ecológicos, políticos e institucionais de cada região”, afirma Teresa Ferreira.</p>
<p>Com contributos de especialistas de 45 países, o estudo identifica 27 prioridades fundamentais para recuperar os ecossistemas fluviais, incluindo o reforço da biodiversidade, a melhoria do funcionamento dos ecossistemas e a definição de critérios claros para orientar intervenções.</p>
<p>O estudo sublinha que não existe uma solução única para restaurar ecossistemas degradados na Europa. As medidas devem ser adaptadas às condições ecológicas, políticas e sociais de cada região, um ponto que a equipa considera decisivo para o sucesso das intervenções. Os autores destacam ainda a necessidade de integrar ciências naturais e sociais e de promover processos colaborativos entre investigadores, decisores políticos e comunidades locais.</p>
<p>O estudo propõe ferramentas práticas que podem ajudar a transformar políticas europeias em resultados concretos no terreno, num momento particularmente decisivo para a Europa, que enfrenta metas ambiciosas de restauro até 2030.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
