A dor silenciosa de perder um animal de estimação



Um estudo internacional revela o impacto emocional profundo e muitas vezes incompreendido da perda de um animal de estimação, especialmente durante a pandemia de COVID-19. A investigação mostra que o luto por animais é intenso, duradouro e pode ser tão devastador quanto a perda de um familiar humano.

O estudo, liderado pela professora Elizabeth Peel, da Loughborough University, no Reino Unido, e coautor pelo professor Damien Riggs, da Flinders University, desafia a ideia de que a morte de um animal é um luto “menos válido”. Foram analisadas respostas de 667 donos de animais, revelando que a morte de um cão, por exemplo, é frequentemente descrita como “desgarradora” e “devastadora”, por vezes mais dolorosa do que a perda de um familiar humano.

“Muitos donos falavam dos seus animais como melhores amigos, almas gémeas ou membros da família”, explica Damien Riggs. “O luto é esmagador e duradouro, mas muitas vezes oculto ou desvalorizado.”

A pandemia agravou esta situação. As restrições impostas pelo COVID-19 impediram que muitos donos se despedissem dos seus animais da forma que desejavam, intensificando sentimentos de dor e trauma. Alguns não puderam estar presentes nos últimos momentos do animal, como uma mulher que entregou o seu cão a um veterinário num parque de estacionamento, ou outra que descreveu o olhar final do seu cão antes da eutanásia como uma das experiências mais dolorosas da sua vida.

O estudo aborda também o “luto antecipatório”, a ansiedade sentida antes da perda de um animal doente ou idoso. Alguns donos acordavam no meio da noite preocupados com a morte do seu cão, outros sentiam-se à beira de “perder a cabeça” quando o animal morreu.

Para a professora Peel, a pandemia criou um contexto único em que a relação entre humanos e animais se tornou central na vida de muitas pessoas. “Para muitos, os animais foram a principal fonte de conforto e companhia durante o confinamento. Perder esse vínculo, em circunstâncias tão difíceis, tem um impacto emocional profundo.”

Os investigadores defendem que expressões como “luto centrado no animal” ajudam a descrever melhor esta realidade emocional e a promover apoio mais inclusivo a quem enfrenta a perda de um animal. À medida que as pessoas recorrem cada vez mais aos animais para conforto e apoio emocional, especialmente em tempos de crise, é necessário aumentar a consciencialização, a compaixão e os serviços de apoio dedicados a este tipo de luto.

“O luto por um animal é único. Muitas vezes não há um verdadeiro sentido de encerramento”, conclui Damien Riggs, destacando a necessidade de reconhecimento público e de apoio especializado para quem perdeu um animal de estimação — não só na Austrália, mas em todo o mundo.






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