Álcool torna mais atraentes os machos desta espécie de mosca

Os machos das moscas-da-fruta (Drosophila melanogaster) que consomem álcool tornam-se mais atraentes aos olhos das fêmeas, revela estudo.
Investigadores do Instituto Max Planck para a Ecologia Química (Alemanha) confirmam que a ingestão de álcool aumenta a produção e emissão de feromonas sexuais dos machos, fazendo com que as fêmeas os considerem mais “sexy”. Por isso, os machos, especialmente se ainda não tiverem acasalado, tendem a ser fortemente atraídos para o álcool resultante da fermentação dos frutos dos quais se alimentam.
Estas moscas podem ser frequentemente encontradas a zumbir em torno de contentores de resíduos orgânicos em dias quentes de verão, aliciadas pelo odor de fruta que começa a entrar em estado de decomposição, catalisada pela ação de microrganismos, como a levedura, que digerem os alimentos e produzem álcool.
Ainda que essa substância possa ter efeitos negativos na saúde de alguns animais, incluindo os humanos, não tem, por exemplo, nas vespas-orientais, e pode até melhorar o sucesso reprodutivo, como no caso das moscas-da-fruta deste estudo.
“Nas nossas experiências, mostramos um efeito direto e positivo do consumo de álcool no sucesso reprodutivo das moscas macho”, explica, em comunicado, Ian Keesey, primeiro autor do artigo publicado esta semana na revista ‘Science Advances’.
“O efeito é causado pelo facto de o álcool, sobretudo o metanol, aumentar a produção de feromonas sexuais”, acrescenta, o que, por sua vez, “torna os machos alcoólicos mais atraentes para as fêmeas e assegura uma maior taxa de sucesso reprodutivo”. Este fenómeno, segundo Keesey, contrasta com o que acontece com os humanos, pois “o sucesso de machos humanos embriagados com as fêmeas é provavelmente questionável”.
A investigação foi ainda mais longe, identificando os mecanismos neuronais que permitem aos machos das moscas-da-fruta calcularem qual a quantidade de álcool que podem ingerir sem arriscarem intoxicação.
De acordo com o Keesey, estas moscas possuem “três circuitos neuronais que conseguimos mostrar que se equilibram mutuamente em termos dessa avaliação de risco”, o que, segundo ele, “significa que as moscas têm um mecanismo de controlo que lhes permite obterem todos os benefícios do consumo de álcool sem correrem o risco de intoxicação alcoólica”.