Apesar das alterações climáticas, ainda chove no Mediterrâneo

A precipitação na região do Mediterrâneo tem-se mantido razoavelmente estável ao longo do último século e meio, apesar dos efeitos das alterações climáticas, revela estudo publicado recentemente na revista ‘Nature’.
O trabalho, que juntou quase 70 especialistas, incluindo Ricardo Trigo, Miguel Lima e Luis Gimeno Sotelo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, analisou os dados da precipitação na zona mediterrânica entre 1871 e 2020, recolhidos por 23.000 estações localizadas em 27 países dessa região.
“Este estudo reconcilia, pela primeira vez, as observações das tendências da precipitação com correspondentes simuladas por um vasto conjunto de Modelos de Circulação Global de última geração (CMIP 6), que também não indicam uma tendência predominante da precipitação passada para o período 1870-2020”, diz Ricardo Trigo, citado em comunicado.
A região do Mediterrâneo é caracterizada por uma distribuição desigual da precipitação ao longo do ano. As tendências de precipitação identificadas para algumas regiões e períodos de tempo são atribuídas à dinâmica atmosférica de larga escala.
As previsões para as alterações climáticas e estudos de observação sugerem a diminuição da precipitação em toda a região durante o século XXI. Outros estudos apontam que as alterações na precipitação são causadas essencialmente por padrões de circulação atmosférica, como a Oscilação do Atlântico Norte (NAO).
Ainda assim, Ricardo Trigo não deixa de referir que “embora os autores deste trabalho tenham identificado tendências pouco significativas de precipitação durante este período, a região do Mediterrâneo está a atravessar um período de crescente aridez climática, provocado pelo aumento da evaporação, resultado do aumento da temperatura na região, com implicações importantes para o planeamento ambiental, agrícola e dos recursos hídricos na região”.