Bolívia começa a enviar gás argentino para o Brasil através de gasodutos



A petrolífera estatal da Bolívia confirmou o início das operações de trânsito de gás natural argentino para o Brasil através da rede de gasodutos do país andino.

Na terça-feira, a empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) informou em comunicado de imprensa que arrancou a primeira operação de transporte de gás argentino, com um volume de até 4,5 milhões de metros cúbicos.

A YPFB disse que a transação está a ser realizada com a multinacional TotalEnergies, que comercializa o gás, e o Grupo Matrix Energia do Brasil, que recebe o combustível, graças a um contrato assinado em novembro, “para facilitar a exportação de gás natural argentino para o mercado brasileiro”.

O gestor de contratos de exportação de gás natural da YPFB, Óscar Claros, realçou que o arranque da operação “é o resultado do trabalho” desenvolvido pela empresa para lançar a nova linha de negócio, para o transporte de hidrocarbonetos.

A YPFB referiu que um decreto assinado em agosto a autoriza como “agregadora” e “transportadora internacional” de gás em trânsito pelo Sistema Integrado de Transportes em território boliviano.

A empresa estatal indicou que está autorizada a operar e gerir o fluxo de gás natural através do gasoduto e sistema de compressão de aproximadamente mil quilómetros que ligam os centros de produção de gás na Argentina aos mercados consumidores no Brasil.

A YPFB considerou ainda que os envios de gás argentino para o Brasil através dos gasodutos bolivianos representam um marco e “reforçam a integração energética regional” entre os três países.

A Bolívia dispõe de infraestruturas para o transporte de gás natural porque, até há poucos anos, a Argentina e o Brasil eram os principais mercados para os hidrocarbonetos produzidos no país andino.

No início do século, o gás era o principal produto de exportação e a força vital da economia boliviana, mas, nos últimos anos, a sua produção e vendas ao exterior diminuíram, resultando numa quebra nas receitas do país.

A Bolívia tinha 4,5 triliões de pés cúbicos de reservas comprovadas de gás natural certificadas no final de 2023, muito menos do que o valor registado em 2017: 10,7 triliões.

O Governo boliviano implementou em 2021 um plano que inclui 42 projetos de exploração em diversas regiões para aumentar a produção de hidrocarbonetos e reduzir a importação de combustíveis líquidos subsidiados pelo Estado.






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