Borregos com “muita procura” na região alentejana do Campo Branco



Os borregos produzidos na região do Campo Branco, que abrange cinco concelhos do distrito de Beja, estão com “muita procura” nacional e internacional e os preços têm vindo a aumentar.

De acordo com o presidente do Campo Branco – Agrupamento de Produtores Agropecuários, sediado em Castro Verde, António Lopes, os preços dos borregos produzidos na região “já estão em valores bons e há muita procura”.

“De há um ano a esta parte, o preço de um borrego com 30 quilos deve ter subido 30 ou 40 euros e, neste momento, ronda os 150 euros”, afirmou este responsável à agência Lusa, considerando que, “para o produtor”, o negócio “já começa a ser rentável”, apesar do aumento registado nos custos com os fatores de produção.

“Felizmente que o preço final [dos borregos] já consegue acompanhar essa tendência e este setor está com boas perspetivas”, reforçou António Lopes.

Segundo o presidente do agrupamento, os borregos criados no Campo Branco, que abrange os concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Aljustrel e Mértola, são vendidos “para engordadores”, seguindo depois para o “mercado nacional” e, sobretudo, “para exportação, nomeadamente Israel”.

Por ano, são comercializados na zona do Campo Branco entre 12.000 e 15.000 animais, num negócio que se mantém constante ao longo dos meses, mas registando “picos” nas alturas da Páscoa e do Natal.

Na opinião de António Lopes, “enquanto houver mercado para exportação, o negócio [dos borregos no Campo Branco] está garantido”.

“Porque o nosso borrego é muito bom e é muito procurado. E, mesmo quando há mais excesso de animais, o que pode acontecer é baixar um bocadinho o preço, mas a saída está sempre garantida”, disse.

Ainda assim, o presidente deste agrupamento de produtores reconheceu que existem alguns problemas no setor, com destaque para os custos com os fatores de produção, que “têm subido muito”.

De acordo com este responsável, a região não foi muito afetada pela doença da ‘língua azul’, mas a precipitação registada no mês de março causou alguns problemas.

“Em anos como este, em que tem chovido muito, os animais sofrem um bocado e tem de haver alguma suplementação [na alimentação], pois as pastagens estão muito encharcadas e as ervas não crescem”, indicou.

A par disso, continua António Lopes, o excesso de água nos campos poderá também vir a dar azo a outros problemas de saúde nos rebanhos, como “as pieiras”.

“Vai ser um problema grave, pois está tudo encharcado e os animais começam a fazer feridas nas patas e é mais um custo acrescido” para os produtores, lamentou.

Em Castro Verde decorre, entre hoje e domingo, o festival Sabores do Borrego, numa organização da câmara municipal em parceria com o Campo Branco – Agrupamento de Produtores Agropecuários e a Associação de Agricultores do Campo Branco.

Em paralelo, decorre, também até domingo, em vários restaurantes dos concelhos de Castro Verde, Aljustrel, Almodôvar e Ourique a Semana Gastronómica do Borrego.






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