Microplásticos dificultam absorção de dióxido de carbono pelos oceanos e agravam crise climática



Os oceanos, o maior sumidouro natural de carbono do planeta, estão a perder capacidade para absorver dióxido de carbono devido à crescente presença de microplásticos nas suas águas. Fragmentos de plástico com menos de cinco milímetros tornaram-se omnipresentes no ambiente, estando presentes nas profundezas oceânicas, rios, lagos, ar, solo, gelo do Ártico e até no corpo humano. Para além de transportarem toxinas e representarem riscos para a vida selvagem e para a saúde humana, estes resíduos interferem agora com processos naturais essenciais à regulação do clima.

Impactos nos ecossistemas marinhos e no clima

O estudo publicado na revista Journal of Hazardous Materials: Plastics mostra que os microplásticos perturbam a “bomba biológica de carbono”, o mecanismo pelo qual o carbono é transferido da atmosfera para as camadas profundas do oceano. Afetam o fitoplâncton e o zooplâncton, reduzindo a fotossíntese e comprometendo o metabolismo destas espécies.

Além disso, a plastisfera — comunidades microbianas que se desenvolvem à superfície dos microplásticos — contribui para a produção de gases com efeito de estufa, enquanto os próprios microplásticos libertam metano e dióxido de carbono ao degradarem-se. Estas alterações podem acelerar o aquecimento e a acidificação dos oceanos, provocar perda de biodiversidade e ameaçar a segurança alimentar e as comunidades costeiras.

A necessidade de ação integrada

Face à produção global massiva de plástico — atualmente superior a 400 milhões de toneladas por ano, com menos de 10% reciclada — os investigadores apelam a medidas urgentes e integradas. Recomenda-se reduzir o plástico de uso único, melhorar a gestão de resíduos, promover alternativas biodegradáveis e reforçar a investigação sobre o impacto dos microplásticos nos ciclos do carbono e na temperatura dos oceanos.

O uso de tecnologias de monitorização baseadas em inteligência artificial e o desenvolvimento de novos materiais surge como parte da estratégia. “O próximo passo é quantificar o impacto climático dos microplásticos e desenvolver soluções integradas”, afirma Ihsanullah Obaidullah, autor principal do estudo. “Não é apenas uma questão ambiental, mas um desafio global de sustentabilidade”, conclui.






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