Ouriços-cacheiros na Europa contaminados com vários poluentes



Pesticidas, plásticos, chumbo e outros metais pesados são apenas alguns dos poluentes encontrados nos tecidos de ouriços-cacheiros na Europa.

O alerta é lançado num artigo divulgado recentemente na publicação ‘Environmental Pollution’, no âmbito de uma investigação liderada pela Universidade de Lund (Suécia) que analisou os cadáveres de ouriços-cacheiros atropelados em estrada suecas e recolhidos por cientistas-cidadãos e centros de resgate de animais selvagens nos verões de 2021 e 2022.

Estudos anteriores tinham já detetado metais pesados nesses pequenos mamíferos insetívoros noutras zonas urbanas europeias, mas esta equipa não esperava encontrar uma tão grande diversidade de poluentes.

“O que nos surpreendeu foi o facto de existirem tantos poluentes ambientais diferentes nos animais”, como retardadores de chama bromados (PCB) ou diferentes tipos de ftalatos, explica, em comunicado, Maria Hansson, uma das principais coautoras do artigo. Além disso, acrescenta, foram também detetadas altas concentrações de metais pesados nos ouriços-cacheiros, como o chumbo.

Embora os espaços verdes nas cidades atraiam uma multiplicidade de animais selvagens, os investigadores dizem que também estão contaminados com uma vasta gama de “materiais e químicos sintéticos insustentáveis”. Sendo animais notívagos, que procuram insetos e vagueiam por parques e jardins todas as noites, os ouriços-cacheiros estão “particularmente expostos a altas concentrações de poluentes ambientais”, sublinham, pelo que esses animais servem como indicadores do estado dos ambientes urbanos.

Hansson considera que analisar ouriços-cacheiros é uma boa forma de se conseguir obter uma espécie de “impressão digital ambiental” de um ecossistema, um conhecimento ao qual diz ser “muito difícil” de aceder.

“Mas os ouriços-cacheiros permitiram-nos obter uma perspetiva única sobre o tipo de poluição ambiental urbana que temos diretamente à nossa volta”, aponta.

Para a investigadora, especialista em ecotoxicologia, os resultados do estudo mostram que “os ambientes urbanos, onde a maioria das pessoas hoje vive, contêm uma grande quantidade de substâncias ambientalmente problemáticas e que são comprovadamente prejudiciais para a saúde”.

A equipa considera que os poluentes que foram encontrados nos corpos dos ouriços-cacheiros, e que estão presentes nos jardins e parques urbanos, provêm de materiais de construção, de plásticos, de pesticidas, da poluição do ar, de resíduos urbanos e do tráfego rodoviário.

Por isso, defendem que é preciso aumentar a monitorização dos solos e dos organismos que vivem nesses espaços verdes das cidades.

Se queremos ter Natureza nas nossas cidades, frisa Hansson, “devemos também reduzir o risco de exposição dos organismos aos químicos que estão nos materiais e produtos que escolhemos usar”.

Os ouriços-cacheiros, espécie nativa da Europa, são uma espécie “Quase Ameaçada” de extinção, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, pelo que reduzir a sua exposição a poluentes tóxicos é fundamental para assegurar que o risco de desaparecerem não aumenta.

Além disso, os cientistas dizem que os resultados obtidos neste estudo não são apenas preocupantes para os ouriços-cacheiros, mas também o podem ser para nós, humanos.

“Como os ouriços-cacheiros são mamíferos como nós, é preocupante encontrar substâncias que sabemos serem disruptores endócrinos, carcinogénicos ou que interferem com a reprodução humana”, diz Hansson.






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