Zoo espanhol celebra nascimento da primeira cria de quebra-ossos

Há décadas que o Centro de Conservação da Biodiversidade – Zoobotánico Jerez, em Espanha, tem tentado reproduzir quebra-ossos (Gypaetus barbatus) em cativeiro, como parte do seu programa de reprodução ex situ dessa espécie de abutre, classificada como “Em Perigo” no país.
No dia 14 de março, o esforço, por fim compensou, com o nascimento da primeira cria de quebra-ossos desde que o centro iniciou, em 1998, a sua participação no programa europeu de reprodução em cativeiro da espécie, coordenado pela organização Vulture Conservation Foundation (VCF).
Depois de várias tentativas falhadas, o sucesso surge graças a um casal oriundo de outro centro de conservação de quebra-ossos, na região da Andaluzia: um macho com 10 anos e uma fêmea com 14, que chegaram ao Zoobotánico Jerez em abril de 2021.
De acordo com informações divulgadas pela VCF, a fêmea colocou o primeiro ovo em fevereiro de 2024, mas não tinha sido fertilizado pelo macho. Contudo, depois de em dezembro passado os técnicos do centro espanhol terem registado “múltiplas copulações bem-sucedidas”, no dia 20 de janeiro deste ano surgiu mais um ovo, que, desta vez, resultou numa cria saudável.
Desde a eclosão, o pequeno quebra-ossos tem sido acompanhado de perto, com exames físicos frequentes para avaliar a saúde do animal e que se está a desenvolver bem. Foi também instalada uma câmara no interior do ninho para monitorizar a cria e reduzir a perturbação dos progenitores.
Neste vídeo, captado por câmara colocada no ninho, um dos progenitores alimenta a cria. Fonte: Vulture Conservation Foundation.
Segundo consta, tanto o macho como a fêmea estão a cuidar da cria, que apenas cinco dias depois de nascer chegou às 200 gramas, algo que os conservacionistas veem como “promissor”.
O regresso dos quebra-ossos
Embora classificados a nível global como “Quase Ameaçada”, na região do Mediterrâneo, Europa incluída, os quebra-ossos são uma espécie “Vulnerável” à extinção.
Há cerca de dois séculos, os quebra-ossos podiam ser encontrados nas montanhas um pouco por todo o sul da Europa, da Espanha ocidental aos Balcãs, mas a redução da disponibilidade de alimento, alterações nas práticas de criação de gado e a mortes pelos humanos (diretas, pela caça, ou indiretas, por venenos não dirigidos especificamente à espécie), provocaram uma queda progressiva das populações dessa ave de rapina.
Atualmente, os quebra-ossos são considerados a espécie abutre mais rara da Europa, ocorrendo na região apenas nos Pirenéus e nas ilhas de Creta e de Córsega, sendo que existe já uma população reintroduzida nos Alpes com mais de 60 casais reprodutores. No total, a população europeia de quebra-ossos (incluindo Turquia e Rússia) tem entre 600 e mil casais.
Desde que foi lançado, em 1978 nos Alpes, o programa europeu de reprodução de quebra-ossos já alcançou 717 aves nascidas em cativeiro, das quais 426 foram introduzidas na Natureza, com vista à recuperação da espécie das paisagens europeias das quais desapareceu.