Associação de Mértola contesta em tribunal captação de água no Pomarão

Uma associação de Mértola, distrito de Beja, avançou com uma ação administrativa para anular a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) emitida para o projeto de reforço do abastecimento de água ao Algarve através de captação no Pomarão.

Green Savers com Lusa

Uma associação de Mértola, distrito de Beja, avançou com uma ação administrativa para anular a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) emitida para o projeto de reforço do abastecimento de água ao Algarve através de captação no Pomarão.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a associação “Amigos da Formôa”, recentemente constituída, indicou que deu entrada com a ação administrativa, na segunda-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja.

A ação agora intentada, salientou, tem “o objetivo de invalidar a DIA emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para o projeto denominado ‘Reforço do abastecimento de água ao Algarve – Tomada de água no Pomarão’”.

“A associação considera este projeto da [empresa pública] Águas do Algarve altamente danoso para o concelho de Mértola e para o rio Guadiana e, em especial, para o Pomarão e para o lugar da Formôa”, lê-se no comunicado.

Para a associação “Amigos da Formôa”, além de estar previsto para “zonas protegidas e altamente sensíveis do ponto de vista ambiental”, o projeto “assenta em dados falsos” e “não tem em conta as disponibilidades hídricas, nem do lado espanhol, nem do lado português, nomeadamente do sistema Alqueva – Pedrógão”.

“Ou seja, podemos estar perante um projeto de tomada de água em que não haverá água para tomar e, nessa medida, é um projeto altamente irresponsável”, argumentou.

Assinalando que as populações foram desconsideradas, a associação frisou que o projeto “foi elaborado sem que aquele que é o principal concelho a receber os principais impactos, Mértola, tenha sido envolvido no processo de tomada de decisão”.

“Quando o projeto foi colocado em consulta pública, um dos fatores fundamentais para a sua aprovação ou para a sua rejeição já estava decidido, precisamente a localização”, sublinhou.

A associação, que tem na sua designação o nome de Formôa, pequena povoação junto ao Pomarão, no concelho de Mértola, defendeu que o projeto de captação de água do rio Guadiana para o Algarve também “não respeita o território”.

“O próprio Estudo de Impacte Ambiental ‘confessa’ destruir biodiversidade, colocar em causa espécies que estão em vias de extinção, como é o caso do saramugo (Anaecypris hispanica), aumentar a intrusão salina, entre outros danos irreversíveis e não minimizáveis, a que a DIA não dá resposta”, afirmou.

Os “Amigos da Formôa” advertiram que a concretização do projeto provocará muitos impactos, “sem a certeza de que haverá água para a tomada que a Águas do Algarve pretende fazer no Pomarão”.

“Esta associação pretende que seja declarada a nulidade ou, em alternativa, anulada a DIA, sendo que tal decisão representará, desde logo, a proteção do rio Guadiana de um projeto que não faz qualquer sentido e é altamente danoso”, acrescentou.

O projeto prevê a captação de água superficial na zona estuarina do rio Guadiana, na proximidade da povoação de Mesquita, a montante do Pomarão, e a construção de uma conduta até à albufeira de Odeleite, no concelho de Castro Marim, no Algarve.

A captação de água no Pomarão está prevista no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve e tem como objetivo criar condições para os novos regadios propostos que se situam no sistema Beliche-Odeleite.

Portugal e Espanha estabeleceram, durante a 35.ª Cimeira Luso Espanhola, realizada, no final de outubro, em Faro, que, no reforço do abastecimento de água ao Algarve, a captação no Pomarão terá um volume anual máximo de 30 hectómetros cúbicos.

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