Planetas “molhados e selvagens” podem gerar água sob pressão extrema



Alguns planetas poderão produzir a sua própria água durante o processo de formação, através de reações químicas entre rochas e hidrogénio sob elevadas pressões, segundo uma nova investigação internacional publicada na revista Nature.

A equipa de cientistas recriou em laboratório as condições extremas existentes no interior de exoplanetas, utilizando lasers pulsados e pressões muito elevadas para aquecer amostras de rocha. Os investigadores observaram que o hidrogénio reagiu com os silicatos derretidos dessas rochas, libertando oxigénio, que depois se combinou com o hidrogénio restante, originando moléculas de água.

De acordo com os autores, esta reação química poderá ocorrer nas camadas profundas dos exoplanetas, na fronteira entre o núcleo rochoso e a envolvente gasosa, onde a pressão e a temperatura atingem valores extremos. Ao longo de milhares de milhões de anos, esse processo poderia gerar quantidades significativas de água, explicando a presença deste elemento essencial à vida em alguns mundos fora do Sistema Solar.

Um novo caminho para a formação de água

Até agora, acreditava-se que a água dos planetas se formava principalmente por condensação de gelo proveniente do espaço, um processo típico em exoplanetas de dimensões entre as da Terra e Neptuno, mas localizados longe da sua estrela. No entanto, a missão Kepler, da NASA, detetou exoplanetas de tamanho semelhante com água líquida à superfície, apesar de orbitarem muito mais perto do seu sol — algo que o modelo tradicional não conseguia explicar.

O novo estudo, liderado por Harrison Horn e colegas, propõe uma alternativa: a água pode nascer dentro do próprio planeta, a partir de reações químicas que ocorrem sob pressão e calor intensos.

Desafiar o conhecimento estabelecido

Os autores reconhecem que a rapidez com que estas reações ocorrem depende da quantidade de hidrogénio disponível e da temperatura na fronteira entre o núcleo e a atmosfera do planeta. Ainda assim, sublinham que estas conclusões desafiam o conhecimento atual sobre a origem da água em exoplanetas, sobretudo os que se situam mais próximos das suas estrelas.

“Os nossos resultados mostram que a água pode formar-se de formas muito diferentes das que conhecemos na Terra”, referem os investigadores. “Isso pode significar que mundos ricos em água são muito mais comuns no universo do que imaginávamos”, concluem.






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