A aquacultura marinha global, a fonte de frutos do mar que mais cresce no mundo, poderia permanecer amplamente resiliente às alterações climáticas se os países cumprissem a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius.
Esta é a principal conclusão de um estudo internacional publicado recentemente na revista ‘npj Ocean Sustainability’, que contou com o português Jorge Assis, do Centro de Ciências Marinhas (CCMAR) da Universidade do Algarve, como coautor.
O trabalho consistiu na avaliou a exposição climática de 327 espécies de aquacultura marinha em todas as Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) em três cenários climáticos futuros. Os resultados mostram um contraste marcante entre os caminhos sustentáveis e os de alta emissão, dizem os cientistas.
No cenário alinhado com o Acordo de Paris, também conhecido como SSP1-1.9, mais de 40% das regiões marinhas do mundo permaneceriam totalmente imunes às mudanças climáticas prejudiciais, incluindo muitas das áreas de aquacultura mais produtivas nos dias de hoje.
Por outro lado, a investigação revelou que, em futuros com emissões mais elevadas, quase todas as regiões de aquacultura do mundo ficariam expostas a condições climáticas novas e potencialmente perturbadoras.
“Os nossos resultados mostram muito claramente que o Acordo de Paris não se trata apenas de proteger a natureza, trata-se de proteger os alicerces da segurança alimentar global”, declara, em comunicado, Jorge Assis.
Recorda a equipa que se o mundo não for capaz de cumprir as metas do Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius face a níveis pré-industriais “as alterações ambientais tornar-se-ão quase universais, obrigando a adaptações dispendiosas, relocalizações ou perdas de produção na maioria das regiões”.
Nos piores cenários climáticos, nos quais as emissões continuam a aumentar e excedem o limite dos 1,5 graus, mares semi-fechados como o Báltico, o Negro e o Vermelho, bem como regiões equatoriais, poderão ser algumas das áreas mais severamente afetadas em todo o mundo.
Atualmente a aquacultura fornece perto de um terço de todos os produtos do mar consumidos a nível mundial, mas tudo aponta para que venha a ser a principal fonte desse tipo de produtos até ao final da década. No entanto, se os piores cenários se vierem a concretizar, essa capacidade de fornecimento de alimento poderá ser fortemente afetada.
Argumentam os investigadores que, em linha com o que descobriram neste trabalho, as decisões políticas climáticas tomadas hoje irão moldar não só os ecossistemas marinhos, mas também a disponibilidade e acessibilidade futura dos produtos do mar para milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.









