Uma operação policial internacional decorrida na América do Sul em dezembro de 2025 é considerada a primeira que visa especificamente a extração ilegal de ouro.
Batizada com o nome “Operação Guyana Shield”, foi coordenada por autoridades policiais e judiciais do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. Tendo envolvido mais de 24.500 vistorias a veículos e pessoas, resultou em 198 deteções.
Entre os detidos estão três homens que foram presos na Guiana sob suspeita de contrabando de ouro e branqueamento de capitais. Na altura da detenção, transportavam ouro não processado e 590.000 dólares em dinheiro vivo. Em comunicado, a Interpol, que esteve envolvida no apoio à operação, informa que esses homens são alegadamente membros de uma grande organização criminosa com possíveis ligações a uma das maiores empresas de exportação de ouro da Guiana.
“O aumento exponencial dos preços do ouro a nível internacional resultou no aumento da mineração ilegal de ouro, fazendo com que seja a fonte de receitas de grupos criminosos organizados que mais rapidamente tem crescido”, explica Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol.
E acrescenta que a organização policial internacional está a colaborar com os seus parceiros para impedir o funcionamento das redes criminosas e para “evitar mais danos nesta região remota e ambientalmente frágil”.
Na Guiana e no Suriname foram também apreendidos cilindros de mercúrio, avaliados em mais de 60.000 dólares. O mercúrio é frequentemente usado na extração ilegal de ouro pois ajuda a separar o ouro de outros metais presentes nos sedimentos. Contudo, é altamente tóxico, tanto para a saúde humana como para o ambiente e outras formas de vida.

Os cilindros de mercúrio estavam a ser transportados por autocarro, escondidos em painéis solares.
A operação levou também à apreensão de equipamento de mineração, como bombas, e à interceção de uma autocarro que transportava migrantes sem documento, incluindo vários menores que as autoridades suspeitam terem sido explorados para trabalho infantil ou sexual.









