Tribunal suspende ensaio de culturas de milho transgénico no México

O governo mexicano tentou avançar com a permissão de cultivo de milho transgénico no país, mas um juiz federal suspendeu os ensaios.

Green Savers

O governo mexicano tentou recentemente permitir a prática de cultivo de milho transgénico no país – isto aborreceu activistas, agricultores e grupos de direitos humanos, que acabaram por avançar com uma acção para bloquear os ensaios da Monsanto e outras empresas internacionais.

O Grist informa que, por enquanto, o México permanecerá parcialmente livre das variedades transgénicas do cereal – mas não totalmente, já que as importações de organismos geneticamente modificados (OGM) continuarão a ser permitidas.

Um juiz federal mexicano emitiu uma ordem que suspende o avanço de ensaios em produções agrícolas, alegando os riscos de danos ambientais iminentes implicados no processo. Para o México, esta é uma batalha sobre práticas agrícolas e impactos ambientais, tais como o uso de pesticidas e danos causados ​​aos insectos – não é uma luta sobre a segurança da ingestão de OGM.

A liberalização do milho transgénico é uma questão controversa no país, que é o berço do milho. O país é o lar de dezenas de variedades tradicionais de milho, bem como da sua cevada selvagem ancestral – o teosinto. E os cientistas descobriram baixos níveis de genes modificados em milho nativo, apesar de estar em vigor desde 1998 uma moratória sobre a plantação do cereal geneticamente modificado.

“O problema em questão relaciona-se com o cultivo”, afirmou Andrew Conner, manager de tecnologia global para o Grains Council dos Estados Unidos.“Não temos nenhuma razão para acreditar que o que está a acontecer agora, com a decisão do juiz, se vá alastrar e afectar as importações.”

O governo mexicano tem-se movido no sentido da aprovação das plantações de milho transgénico, num esforço por aumentar a produção do cereal num país que importa quase um terço do milho que consome, principalmente para a alimentação de gado.

Em comunicado de imprensa, o activista de direitos humanos Miguel Concha, da ONG La Coperacha envolvida no processo, disse que a decisão reflecte o facto de o México estar legalmente obrigado a proteger os direitos humanos dos interesses económicos das grandes empresas.

Os grupos activistas afirmam que pretendem, eventualmente, transformar esta suspensão numa proibição total.

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