A sustentabilidade desconhecida da Clarins

A Clarins é uma marca de cosméticos conhecida pelos seus produtos de qualidade que há mais de 60 anos embelezam e cuidam das mulheres de todo o mundo. O que pouca gente conhece é toda a política de sustentabilidade por detrás da marca, que começou a ser abraçada logo na altura da sua fundação.

Foi em 1954 que Jacques Courtin-Clarins, estudante de medicina na altura, cria a Clarins e o primeiro instituto de beleza da marca no 35 da Rue Tronchet, em Paris. Numa altura em que a química dominava a indústria cosmética mundial, Jacques Courtin-Clarins decidiu apostar nas plantas e nos seus extractos naturais para fabricar os seus produtos, que ao longo dos anos vieram a ganhar popularidade entre as parisienses e mais tarde entre as mulheres de todo o mundo.

Actualmente, a Clarins é gerida pelos dois filhos de Jacques Courtin-Clarins – Oliver Courtin-Clarins e Christian Courtin-Clarins – que deram continuidade ao legado do pai às políticas de sustentabilidade da marca.

Em 1987, muito antes de a preocupação com os animais ser um tema de agenda, a Clarins proibiu que qualquer dos seus produtos fosse testado em animais. Mais tarde, em 1991, ano em que lançou a linha própria de maquilhagem, a Clarins renunciou à utilização de extractos de origem animal nos seus produtos.

Desde 2007, que a marca efectua avaliações da pegada ecológica da sua actividade de forma voluntária. Estes relatórios permitem à Clarins identificar as principais fontes de emissão de gases com efeito de estufa e implementar medidas para reduzir o seu impacto ambiental. Uma das medidas que a Clarins implementou no seguimento destes relatórios foi limitar o transporte dos seus produtos via aérea. Todos os produtos da marca partem da plataforma logística de Amiens e como o transporte aéreo é um dos principais emissores, a marca decidiu que apenas 2% das suas exportações seriam por ar.

A marca é também adepta da protecção da natureza. Um dos extractos de plantas utilizados nos seus produtos é a casca de Katafray, um arbusto de Madagáscar conhecido pelas propriedades hidratantes e regenerativas. Para obter este ingrediente, a Clarins criou um método ecológico de o extrair em colaboração com as populações locais. Os habitantes da ilha que trabalham para a marca extraem apenas duas tiras de casca de cada arbusto, que depois é deixado a recuperar durante quatro ou cinco anos.

Apoio a projectos sociais e de conservação

Ao longo da sua história a Clarins tem apoiado vários projectos, nomeadamente de cariz social ou de conservação da natureza. Na China e na Amazónia o grupo apoia o Pur Project, uma associação que promove a reflorestação de áreas degradadas e ajuda as pessoas a viver nestas locais em simbiose com a natureza.

A marca tem também uma parceria com o botânico Jean-Pierre Nicolas e com a sua associação Jardins du Monde. Jean-Pierre Nicolas é um defensor da tradição do uso de substâncias medicinais provenientes da natureza. Desde Madagáscar ao Burkina Faso, o botânico viaja pelos locais mais remotos em busca de plantas medicinais raras e é através das populações locais que Jean-Pierre aprende a dar-lhes o melhor uso possível. Posteriormente, estas espécies são apresentadas aos investigadores da Clarins que decidem ou não incorporá-las nos produtos.

No Vietname, a Clarins ajuda ainda construir escolas e no Burkina Faso ajuda a construir poços de água.

Embalagens reutilizáveis

A Clarins é também sensível à necessidade de reciclar os seus materiais e foi por isso que os recipientes da gama My Blend, criada por Oliver Courtin-Clarins, são reutilizáveis. Quando o produto de um qualquer cliente se acaba é possível encomendar mais através da página da marca. O produto pode depois ser misturado pelo cliente nos recipientes originais. Desta forma a marca consegue poupar matérias-primas e reduzir o impacto ambiental dos produtos.

Desde que Oliver Courtin-Clarins lançou a sua gama, a política de eco-design tem sido aplicada às restantes gamas de produtos da Clarins. Tal faz com que grande parte dos recipientes da Clarins seja em vidro em vez de plástico, o papel utilizado seja reciclado e com menor gramagem e não seja utilizado PVC.

Clarinsmen Environment Award

Desde 2004 que a Clarins distingue personalidades masculinas que trabalhem em prol do ambiente e que tenham iniciado projectos de dimensão ética e social. Estes podem ser acções humanitárias desenvolvidas em populações específicas, para promover o acesso à água, à educação ou à saúde ou programas de reintegração.

Ao longo dos anos, a Clarins já distinguiu personalidades como Roland Jourdain pela sua Fundação Explore, Jean-Pierre Nicolas e os seus Jardins du Monde mas também Bertrand Piccard, o fundador do Solar Impulse, o avião solar que actualmente se encontra a dar a volta ao mundo recorrendo apenas a energia solar. O Solar Impulse é alimentado por mais de 17.000 células solares que revestem as suas asas de 72 metros.

Deixar o número 35 da Rue Tronchet

Em 2014, quando a Clarins completou 60 anos de existência mudou os seus escritórios para um novo edifício na Avenue de la Porte des Ternes, em Neuilly, nos arredores de Paris. Tal como os produtos do grupo, também a nova sede bebeu inspiração da natureza, oferecendo aos colaboradores do grupo as melhores condições possíveis de trabalho.

Ao todo são sete pisos que combinam design e tecnologia de ponta com a preocupação ambiental. A iluminação do edifício é toda automática, o que permite com que as luzes não estejam acesas quando não é necessário. Possui sistema de aproveitamento de água da chuva que é utilizada para regar os espaços verdes do edifício, entre os quais um jardim que acomoda uma grande mesa para que os funcionários possam almoçar todos juntos quando está bom tempo.

O sistema de aquecimento e ventilação são de baixo consumo, sendo que este último foi instalado com recurso ao biomimetismo. “Em vez de utilizarmos ar condicionado implementámos um sistema de tubos que vão até ao solo e que permitem recuperar a frescura do ar e trazê-la novamente para o interior do edifício”, explicou Christian Courtin-Clarins que esteve em Lisboa esta semana num encontro promovido pela Clarins.

No topo da sede, a Clarins tem várias colmeias que acabam por proteger as abelhas. “No centro da cidade é proibido utilizar pesticidas e como tal todo o ambiente é mais favorável para as abelhas”, explicou Christian Courtin-Clarins.

A sustentabilidade estende-se ainda aos veículos da marca, que tem vários carros eléctricos para utilização em serviço, assim como bicicletas para os funcionários mais ousados.

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