A União Europeia (UE) apresentou ontem o seu roteiro para uma economia competitiva e com baixas emissões de carbono um plano que descreve a via para atingir o objectivo da UE de reduzir, até 2050 – e com boa relação custo-eficácia – as emissões de gases com efeito de estufa em 80 a 95%.

Ao todo, os Estados-membros terão de investir perto de 270 mil milhões de euros anuais até 2050 – o equivalente a 15% do PIB – sendo a maior parte deste investimento para o sector dos transportes (150 mil milhões de euros), construção de edifícios (75 mil milhões) e energia (30 mil milhões).

Apesar de tudo, com esta proposta a Europa conseguirá poupar, só em combustível e anualmente, qualquer coisa como entre 175 e 320 mil milhões de euros de 2010 e 2050. Isto sem falar nos benefícios para a qualidade do ar e saúde, que ascenderão aos 27 mil milhões de euros em 2030.

Mas o melhor mesmo é consultar, na íntegra, o roteiro.

A Comissão Europeia salienta ainda o potencial de criação de empregos, sobretudo na área da renovação de edifícios e produção de materiais de isolamento e na indústria das renováveis. Recorde aqui também o mapa para a Economia Verde da ONU.

E leia o comunicado de imprensa da União Europeia.

Assim, o roteiro recomenda que a Europa atinja este objectivo, em grande parte, através de medidas internas, dado que em meados do século haverá menos disponibilidade de créditos internacionais de compensação de emissões do que actualmente.

Leia também a entrevista exclusiva do Green Savers à subsecretária do Estado do Rio de Janeiro para a Economia Verde, Suzana Kahn: parte 1 e parte 2.

A modernização económica exaustiva subjacente ao roteiro demonstra que, para obter esta redução de 80% até 2050, devem ser atingidas reduções na ordem dos 40 e 60% abaixo dos níveis de 1990 em, respectivamente, 2030 e 2050. As actuais projecções indicam que este número estará, ainda assim, entre os 30% em 2030 e 40% em 2050.

Recorde o recente relatório da ONU sobre a Economia Verde.

Este roteiro será agora discutido no conselho informal do ambiente, que se realizará em Budapeste a 26 de Março. O debate oficial está marcado para Julho.

“Temos de iniciar já a transição para uma economia competitiva e com baixas emissões de carbono. Quanto mais esperarmos, mais elevado será o custo. Os preços do petróleo continuam a aumentar e a factura energética da Europa também aumenta todos os anos, ficando mais vulnerável a crises de preços”, explicou a comissária europeia para a Acção Climática, a já conhecida Connie Hedegaard.

“Nesta transição” – continuou a responsável – “é necessária a contribuição de todos os sectores económicos, incluindo a agricultura, a construção e os transportes. Ao descrever a via para a Europa avançar para um futuro de baixo carbono e com uma boa relação entre custo e eficácia, este roteiro proporciona um quadro claro e previsível para as empresas e os Governos poderem preparar as suas estratégias hipocarbónicas e o investimento a longo prazo”.

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