“A vida no Paquistão mudou para sempre”: Primeiro-ministro aponta dedo a países poluidores por “catástrofe climática” que já matou mais de 1.500 pessoas



O primeiro-ministro do Paquistão apelou, esta sexta-feira, aos líderes mundiais na 77.ª Assembleia Geral das Nações Unidas para que unam esforços para ajudar o país a recuperar da devastação causada pelas chuvas torrenciais que, até ao momento, já fizeram mais de 1.500 vítimas mortais, incluindo 552 crianças.

“Não há palavras para descrever o choque que vivemos nem como o nosso país foi transformado”, afirmou Muhammad Shehbaz Sharif, acrescentando que “o Paquistão nunca viu um exemplo tão forte e tão devastador do impacto do aquecimento global”, que deixou um terço do país debaixo de água.

O líder do governo paquistanês salientou que, no encalço do que descreveu como uma “catástrofe climática”, cerca de 33 milhões de pessoas estão agora em risco de contrair doenças devido ao retrocesso da água das cheias causadas pela intensa precipitação, e que “neste momento, milhões de migrante climáticos ainda procuram terra seca para instalarem os seus abrigos”.

O responsável detalhou que um milhão de casas foram destruídas, que quase dois milhões de hectares de culturas ficaram arruinadas, potenciando a ameaça de insegurança alimentar no país.

“A vida no Paquistão mudou para sempre”, sentenciou Sharif, e deixou uma crítica inequívoca aos países mais industrializados e que mais contribuem para o aumento das emissões de gases com efeito de estufa: “A natureza libertou a sua fúria sobre o Paquistão sem olhar à nossa pegada de carbono, que é perto de zero”.

“As nossas ações não contribuíram para isto.”

Nos dias 9 e 10 de setembro, o Secretário-geral das Nações Unidas visitou as áreas mais atingidas pelas monções no Paquistão. Perante o cenário de devastação que testemunhou com os seus próprios olhos, António Guterres declarou que “eu já vi muitos desastres humanitários no mundo, mas nunca vi carnificina climática desta dimensão”.

Babar Baloch, da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), estima que serão precisos seis meses para que as águas das cheias finalmente retrocedam



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