Afinal, os insetos não são exatamente atraídos pela luz artificial



Quando o sol se põe e a escuridão da noite se abate, insetos voadores congregados em torno de focos de luz são uma imagem recorrente e até expectável. Isso levou a que, durante muito tempo, se pensasse que esses animais são atraídos pela luminosidade.

Contudo, um novo estudo sugere que a história pode ser outra bem diferente.

Publicado na revista ‘Nature Communications’, revela que os insetos voadores noturnos, na realidade, não são exatamente atraídos pela luz, mas sim confundidos por ela. Esses animais, ao longo de milhares, senão mesmo milhões, de anos de evolução, desenvolveram sistemas de navegação aérea que os ajudam a voar em ambientes com pouca ou quase nenhuma luz, tomando o céu noturno, em tempos a parte mais luminosa com a lua e as suas estrelas, como referência.

No entanto, hoje a penumbra noturna é quebrada pela crescente luminosidade de luzes artificiais, levando os insetos a acharem que os candeeiros são o céu, o seu ponto de referência ancestral. Em comunicado, os autores explicam que os animais, confusos pela luz artificial, “ficam presos num ciclo exaustivo” em torno das lâmpadas humanas, por isso os vemos a voar em torno delas. Não é porque sejam atraídos por elas, mas sim porque estão a tentar orientar-se tomando por referência esse ‘céu’ falso.

Através de trabalho de campo realizado na Costa Rica, um país rico em diversidade de insetos, a equipa, liderada por Samuel Fabian, da Imperial College London e primeiro autor do artigo, captou quase 500 vídeos de insetos noturnos de mais de 11 ordens para perceber as suas reações a fontes de luz artificial.

A partir desses dados, criaram modelos em três dimensões dos padrões de voo e perceberam que todas as espécies, quando perante uma luz artificial, voavam em direção a ela e punham-se de costas para ela, tal como fariam com o céu, mantendo-o por cima.

Por isso, os investigadores acreditam que colocar coberturas na parte de cima das luzes artificiais, fazendo com o que os raios de luz incidam somente para baixo, será uma forma de minimizar os impactos sobre o sistema de navegação dos insetos noturnos, mantendo a direcionalidade da luz de cima para baixo, como a luz que erradia do céu noturno.

Numa altura em que se fala de um ‘apocalipse dos insetos’, de grandes declínios populacionais devido aos impactos humanos, como práticas agrícolas intensivas e insustentáveis e a destruição de habitats, proteger esses pequenos animais é crucial. Isto, porque muitos deles são fundamentais para manter a saúde de ecossistemas cujos serviços são indispensáveis para muitas formas de vida, incluindo nós, humanos, como a polinização e a gestão de outras espécies que, sem eles, podem ter efeitos devastadores na nossa saúde e segurança alimentar.





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