Agricultura intensiva no Baixo Alentejo coloca em risco saúde e ambiente, diz Zero

Associação ambientalista diz que a expansão de perímetros de rega para novas áreas além das que estão previstas no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva não têm em conta os cenários futuros de mudança climática.

Rogério Junior

Mais de 200 mil hectares de culturas intensivas no Baixo Alentejo ameaçam o ambiente e colocam em risco a saúde das populações, alertou hoje a associação ambientalista Zero, exigindo mais fiscalização das explorações.

Em comunicado, a Zero chama a atenção para os “impactes ambientais e as ameaças” à saúde devido à “instalação descontrolada de milhares de hectares de culturas de regadio em regime intensivo e superintensivo no Baixo Alentejo”.

De acordo com a associação, a expansão de perímetros de rega para novas áreas além das que estão previstas no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, nomeadamente blocos confinantes e a novas áreas no Alto Sado e Alto Alentejo, não têm em conta os cenários futuros de mudança climática.

A Zero lembra que os cenários apontam para uma mudança climática para o sudoeste da Península Ibérica, nomeadamente uma subida da temperatura, menor precipitação o que leva à redução das disponibilidades hídricas, com redução de caudais e menor capacidade de recarga dos aquíferos subterrâneos.

A associação sublinha também que a instalação e exploração de perímetros de rega estão a ser feitas sem o devido acompanhamento no terreno nem de fiscalização.

Por isso, a Zero, exige um “acompanhamento e fiscalização da instalação de novas culturas e das já existentes promovendo a conservação do solo face aos efeitos da erosão que algumas práticas podem potenciar, bem como o risco de salinização associado à qualidade da água de rega”.

As culturas intensivas, que utilizam quantidades significativas de produtos fitofarmacêuticos, que estão a ser instaladas em redor de povoações, põem em risco a saúde da população.

Por isso, realça a Zero, “é fundamental ter em consideração o princípio da precaução, sendo que os Planos Diretores Municipais deverão prever faixas de segurança que limitem a implantação deste tipo de culturas e a utilização de fitofarmacêuticos junto às habitações e na orla dos aglomerados populacionais”.

A associação chama também a atenção para a má qualidade do ar em várias localidades da região causada pelas empresas de extração de óleo de bagaço de azeitona, que “deverão ser obrigadas a instalar tecnologia mais eficaz de modo a reduzir este impacto que afeta” as populações.

A Zero destaca ainda que a biodiversidade da região tem sido gravemente afetada, pelo que deveriam ser estabelecidos limites às culturas intensivas e especialmente às superintensivas obrigando à manutenção de áreas mínimas da superfície agrícola utilizada afetas a culturas extensivas.

Por isso, a associação defende a manutenção de faixas de vegetação espontânea nas bermas de caminhos e nos taludes e áreas declivosas, a promoção da conservação das margens de linhas de água e a preservação das azinheiras e sobreiros, por forma a criar habitats e garantir refúgio para a biodiversidade.

Lusa

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.