Albufeiras das barragens do Tâmega com plano de ordenamento dentro de um ano



O plano de ordenamento das albufeiras das três barragens do Tâmega estará concluído em um ano, visa harmonizar o potencial turístico com a proteção da massa de água e será financiado pela Iberdrola até 500 mil euros.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a empresa Iberdrola assinaram hoje, em Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, o protocolo com vista ao financiamento do plano especial das albufeiras do Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), que inclui as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega.

“O plano tem que ter, no fundo, este equilíbrio entre o desenvolvimento económico, muito reclamado pelos municípios, mas também aquilo que são as preocupações ambientais. Será um desenvolvimento harmonioso nas vertentes social, ambiental e económica”, afirmou o presidente da APA, José Carlos Pimenta Machado.

O responsável antecipou que o plano deverá estar concluído no prazo de um ano, seguindo-se depois os procedimentos para a sua aprovação, referindo ainda que a Iberdrola avança com um financiamento até 500 mil euros.

Para além da equipa responsável pela parte técnica, será também criada uma comissão consultiva que vai acompanhar a elaboração do plano e que juntará, entre outros, os municípios, a APA e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

“É olhar para o plano de água, perceber que tipo de ocupação podemos fazer, nunca comprometendo aquilo que é a qualidade da massa de água, essa será sempre a grande preocupação”, salientou.

Pimenta Machado recusou haver um atraso na elaboração do plano, salientado que a última barragem, a do Alto Tâmega, apenas ficou concluída e entrou em operação comercial há “menos de um ano”.

Mas, em Ribeira de Pena, o plano de ordenamento para a albufeira de Daivões já é reclamado há mais tempo. Esta barragem foi a primeira a entrar em exploração comercial no verão de 2022.

“Hoje foi dado o primeiro passo de uma série de trabalhos que estavam pendentes desta assinatura entre a APA e a Iberdrola. Desde sempre foi uma das nossas prioridades usufruir deste espelho de água que a barragem nos veio proporcionar. Há muita expectativa em termos de turismo”, salientou João Noronha, presidente da Câmara de Ribeira de Pena.

Mas, acrescentou, tudo esbarrava “com esta falta de plano de ordenamento porque há condicionantes que têm que ser consideradas”.

O autarca disse que há investidores que já entregaram na autarquia projetos para apreciação, designadamente de uma unidade hoteleira, adiantando haver outros projetos a nível de atividades náuticas, um ancoradouro ou o Aquaparque do Tâmega, que incluirá uma praia fluvial, estando, para este efeito, já a ser feita a análise das águas.

João Noronha antevê um retorno “positivo” para o concelho.

“Pretendemos que, a partir deste documento estratégico, se consigam criar dinâmicas novas, se consiga criar riqueza no território, criar emprego”, afirmou também a presidente de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, que disse esperar, agora, ver um retorno para a comunidade do sacrifício feito ao longo dos 10 anos da construção das barragens.

Disse ainda que a estratégia tem que ir ao encontro do plano de água, ao plano das albufeiras, aos recursos hídricos, mas defendeu que as “pessoas que estão no território são as que mais devem receber”, realçou o potencial turístico e que “é essencial chamar gente nova ao território”.

A autarca referiu que a aldeia de Monteiros tem um “grande potencial” para a parte do turismo” e que se tem notado uma procura nesta zona que tem, agora, “uma paisagem completamente transformada”.

O SET é considerado um dos maiores projetos hidroelétricos na Europa, representou um investimento de 1.500 milhões de euros, possui uma capacidade de 1.158 megawatts (MW), sendo capaz de armazenar 40 milhões de quilowatts-hora (kWh), equivalente à energia consumida por 11 milhões de pessoas durante 24 horas nas suas casas.






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