Alterações climáticas vão trazer tempestades cada vez mais mortíferas

A crise climática que está a provocar o aumento do nível do mar e a intensificar as chuvas e o vente, vai impulsionar a fatalidade das tempestades nos próximos anos.

A conclusão é feita por cientistas britânicos do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford que usaram os mais recentes episódios climáticos como referência.

O ciclone Idai, a tempestade tropical que atingiu Moçambique  Malawi e Zimbábue, foi descrito como o ”pior desastre climático de sempre” no hemisfério sul, tendo atingindio 1,7 milhões de pessoas só no país moçambicano. Ondas de inundação de até seis metros causaram devastação generalizada.

Especialistas dizem que é cedo demais para tirar conclusões específicas do ciclone Idai, mas o clima que tem estado a mudar rapidamente apenas enfatiza o poder destrutivo das tempestades que virão nos próximos anos.

“Há três fatores com tempestades como esta: chuva, tempestades e vento”, referiu Friederike Otto do instituto britânico. ”Os níveis de precipitação estão a aumentar devido às alterações climáticas e os surtos de tempestades são mais graves devido ao aumento do nível do mar. ”

Paulo Ceppi, do Grantham Institute do Imperial College London, concordou que era inevitável que as alterações climáticas levassem a tempestades mais severas. “Existe uma ligação direta entre o aquecimento global e a intensidade do ciclone. Precisamos fazer todos os esforços para seguir o plano do acordo de Paris de permanecer abaixo de 1,5C do aquecimento global. Se queremos minimizar futuros aumentos na severidade das tempestades tropicais, e alcançar a meta de Paris, precisamos começar a reduzir as emissões globais de carbono”, sublinhou.

Mel Evans, defensor do clima da ONG Greenpeace, disse que a tempestade foi mais uma prova de que as pessoas menos responsáveis ​​pela crise climática estavam a sofrer mais.

“A média de emissões de CO2 de um cidadão em Moçambique, Malawi ou Zimbabué representa apenas uma pequena fração de um europeu ou de um americano. As pessoas que fizeram o mínimo para causar mudanças climáticas estão na linha da frente para levarem com os impactos e têm muito menos recursos para se prepararem ou repararem danos ”.

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