A APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável fazem um balanço do sector em 2017 e apelam à aposta consistente nas energias endógenas e renováveis como forma de aumentar a autonomia energética do país, em linha com os objectivos de descarbonização do Acordo de Paris, que passam por limitar o aumento da temperatura no planeta a 2,0 ºC.

Em comunicado, as associações lembram que 2017 foi um ano cheio de desafios para o sector electroprodutor, pois “a condição de seca extrema que se fez sentir na grande maioria do ano, veio demonstrar a importância e a necessidade de um mix energético diversificado, no qual as interligações com o exterior e a bombagem hidroeléctrica tiveram um papel fundamental de regularização de preços e de segurança de abastecimento.”

A produção de electricidade a partir de fontes renováveis em Portugal Continental representou apenas 44 % do consumo de electricidade, tendo, porém, acrescentado importantes ganhos para a economia do sector, dos quais sobressaem: a edução do preço médio da electricidade transaccionada no mercado grossista da ordem dos 18,3 €/MWh, o que representa um benefício para o consumidor em 2017 de 727 M€[1]; poupanças na importação de 770 M€ de combustíveis fósseis, e o evitar da emissão de 8,5 milhões de toneladas de CO2, 82,5 mil toneladas de CH4 e 8,25 toneladas de N2O, entre outros componentes gasosos.

A eólica foi a tecnologia renovável que gerou mais electricidade – 11,9 TWh, seguida da electricidade de origem hídrica (7,3 TWh), da bioenergia (2,8 TWh) e da solar fotovoltaica (0,8 TWh).

António Sá da Costa, Presidente da APREN, afirma que: “Os benefícios das renováveis superaram largamente, mais uma vez, os seus custos colocando-as como a solução mais custo-eficaz para o sistema eléctrico nacional. Contudo, em 2017, os acréscimos de nova potência foram residuais, especialmente no caso da solar, que só cresceu 3%”.

Por seu lado, Francisco Ferreira, Presidente da ZERO, considera que: “Portugal tem de investir muito mais na eficiência energética e nas energias renováveis para ser neutro em carbono em 2050 e esse investimento tem de ser fortemente acelerado. O aproveitamento da energia solar é crucial e é preciso informar, simplificar e ultrapassar os obstáculos que impedem termos muito mais edifícios com telhados preenchidos com painéis fotovoltaicos ou no caso de grandes parques solares dando preferência a áreas sem outra utilização significativa”.

Emissões record em 2017

As emissões associadas à produção de electricidade não renovável no ano de 2017, foram de aproximadamente 19,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, um aumento de cerca de 4 milhões de toneladas em relação ao mesmo período do ano passado (+25%). Com os efeitos da seca na produção de electricidade e com grandes áreas ardidas, o ano de 2017 é o ano com maiores emissões de gases com efeito de estufa em Portugal desde o início da década. Em 2017 por cada kWh consumido foi emitido 360 g de CO2.

Em suma, o acréscimo de emissões entre 2016 e 2017 foi da ordem dos 20%, resultante dos incêndios (+7,1 milhões de toneladas) e do aumento da produção de electricidade de origem fóssil.

Perspectivas para 2018

A APREN e a ZERO consideram que é importante consolidar e alargar a integração de novas energias endógenas e renováveis no nosso mix energético pois só assim se conseguirá maior segurança de abastecimento, menor dependência da volatilidade de preços dos combustíveis fósseis importados e a minimização das emissões.

Para 2018 aguarda-se, em particular e com grande expectativa, um grande desenvolvimento da electricidade solar fotovoltaica e da bioenergia, condições essenciais para o aproveitamento do elevado potencial do nosso País na irradiação solar e na biomassa florestal.

No caso da solar fotovoltaica é de salientar a continuada e importante redução de preço nos últimos anos ‑ cerca de 7 vezes, nos últimos 10 anos ‑ o que coloca esta tecnologia no ranking das mais competitivas. É pois, importante que, em 2018, Portugal se possa posicionar como impulsionador desta tecnologia através de políticas e condições legislativas que promovam o seu desenvolvimento.

Por outro lado, os incêndios devastadores de 2017, realçam a necessidade de um melhor ordenamento do território e de um efectivo sistema de recolha da biomassa exclusivamente residual. Nesse sentido, ambas as associações saúdam o novo Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, que prevê, entre outras iniciativas, o desenvolvimento de novas centrais a biomassa, distribuídas pelos concelhos de maior potencial, antecipando-se que 2018 seja marcado por uma exploração sustentável da bioenergia nacional.