Aquecimento do Ártico pode aumentar risco de mortes de baleias por colisão com navios



O aumento da temperatura da água nos mares do Ártico está a alterar os comportamentos das baleias-francas da Gronelândia (Balaena mysticetus) e a fazer com que passem mais tempo em locais de passagem de navios, aumentado o risco de colisões.

Uma investigação liderada pela Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos da América, em colaboração com a agência norte-americano dos oceanos e atmosfera, revela que a população dessa espécie de baleias que habitat a região ártica que liga ao Pacífico, e que migra através do Estreito de Bering, está a partir cada vez mais tarde para os territórios de invernada.

Essas baleias todos os anos migram entre os mares de Bering e de Beaufort e a sua população tem vindo a aumentar, mesmo para níveis superiores aos de antes da baleação comercial. Contudo, por causa das alterações climáticas, em 2022 as baleias deixaram os locais de verão, nas águas frias do Ártico, seis semanas mais tarde do que em 2008.

Com base em registos acústicos para monitorizar o movimento desses mamíferos marinhos, os cientistas perceberam que algumas baleias estão a deslocar-se cada vez mais para norte, para o Mar de Chukchi, onde dizem que está a aumentar o tráfego marítimo humano. Outras não chegam sequer já a atravessar o Estreito de Bering, escolhendo passar o inverno nas águas cada vez mais quentes do Ártico.

Por isso, num artigo publicado na ‘Geophysical Research Letters’, dizem que está a aumentar o risco de colisões entre baleias e navios, o que se poderá agravar à medida que o gelo vai diminuindo e permitindo navegar mais longe e durante mais tempo ao longo do ano.

“Uma mudança como esta pode não ser necessariamente má para as baleias”, diz Angela Szesciorka, primeira autora do estudo, uma vez que isso significa que os animais não têm de empreender grandes viagens, que consomem bastante energia e as expõem a outros perigos. No entanto, “sempre que vemos uma sobreposição entre as baleias e o tráfego marítimo devemos ficar preocupados”, acrescenta.

A equipa também apoiou o seu trabalho no conhecimento tradicional das comunidades nativas do Ártico, que dizem que os padrões de migração das baleias-francas da Gronelândia têm mudado nos últimos anos.

“À medida que o gelo marinho continua a diminuir, o tráfego de navios, especialmente as grandes embarcações comerciais que podem ir muito mais longe do que os barcos de pesca mais pequenos, só irá aumentar”, avisa Szesciorka, que defende que “é melhor começarmos a pensar nestas coisas mais cedo do que tarde para que possamos evitar problemas”, preferindo uma abordagem preventiva a uma reativa.

“Vimos estas mudanças nos padrões de migração em apenas nove anos. Para uma espécie que pode viver até aos 200, é muito notório. Isso mostra que podem adaptar-se, por agora, às mudanças nos seus ambientes. Mas chegará a um ponto em que não conseguirão adaptar-se mais? Temos de esperar para ver”, argumenta a investigadora.





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