No futuro as doenças cardiovasculares e o cancro vão continuar a ser a principal causa de morte, mas devemo-nos confrontar com pandemias para as quais a medicina não vai estar preparada. Doenças como o dengue e o zika serão cada vez menos tropicais.

Diversas estirpes de insectos, responsáveis pela disseminação de agentes patogénicos, vão começar a invadir territórios que estão claramente fora do seu tradicional raio de acção e à medida que a temperatura global subir, esta tendência vai-se acentuar. Esta é a convicção de Francisco George, director-geral de Saúde que em declarações ao Expresso admitiu a probabilidade de no futuro “existirem pandemias que derrubem a barreira da espécie e o aparecimento de doenças desconhecidas” ou que não existiam entre nós desde o século XIX.

O também especialista em Saúde Pública e durante anos consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) explicou que “nunca conhecemos todos os vírus patogénicos que circulam”, daí a dificuldade que representará para a Medicina começar a defrontar-se com estirpes não estudadas e para as quais poderá não haver tratamento adequado. Mas neste cenário, o que Francisco George considera mais preocupante é o risco de a medicina deixar de conseguir tratar “o que antes já julgava ter curado”, consequência do consumo desenfreado de germicidas e antibióticos que está na origem de novas estirpes de bactérias, super resistentes.

De acordo com outro especialista, António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina de Lisboa “as doenças cardiovasculares e as oncológicas continuarão a ser as principais causas de mortalidade”, mas a OMS, através dos seus experts já alertou que a resistência aos antibióticos, motivada pela sua toma exagerada, poderá matar, até 2050, cerca de dez milhões de pessoas.

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