Armazéns Marques Soares instala árvore de Natal invertida feita com lixo



“Se as evidências nada alteram e os alertas não chegam é porque viramos mesmo o mundo ao contrário. E não estamos a conseguir dar a volta, de tantos chutos e pontapés que lhe damos… O impacto poluidor do plástico no planeta impeliu este ano os Armazéns Marques Soares, uma das lojas mais emblemáticas do comércio tradicional portuense, na direção de uma decoração de Natal diferente…”, sublinha a loja em comunicado.

E para um planeta virado do avesso, acrescenta a mesma fonte, “nada mais sintomático do que uma árvore invertida numa das épocas mais especiais do ano, naquela que é uma das lojas que mais visitas recebe no último mês do ano”.

“Os sinais do irresponsável comportamento com o nosso habitat são cada vez mais evidentes.  E foi com esse pensamento que nos propusemos idealizar para os Armazéns Marques Soares uma árvore de Natal ao contrário, com o objetivo de simbolicamente dar ênfase ao impacto da poluição do plástico nos oceanos, que está a pôr em risco toda a vida no planeta”, explica Ricardo Nicolau de Almeida, que se tem notabilizado nos últimos tempos por desenvolver vários projetos artísticos com um forte cunho de intervenção social. E que o levou a fazer parte, recentemente, da organização internacional Earth Creative, uma plataforma que usa o poder da arte para consciencializar os cidadãos sobre as causas das mudanças climáticas.

A instalação, que nasce de uma ideia de Pedro Caride (da Por Vocação), serve-se de lixo recolhido pelo autor nas praias da costa portuguesa, entre 2017 e 2022, para dar expressão ao conceito. O qual resulta num “cartão de visita” inusitado que faz parte do décor natalício que a Marques Soares idealizou para o final de 2022, convidando à entrada nas galerias, na zona da Torre dos Clérigos (n.º 132 da Rua das Carmelitas, no Porto).

A instalação de Ricardo Nicolau de Almeida é mais uma expressão do projeto NICDEALM, uma iniciativa mais vasta de arte e intervenção, onde o traço artístico serve também como ferramenta de consciencialização, em particular para o problema da poluição do plástico.

Nos últimos anos, Ricardo tem recolhido inúmeros “materiais” (lixo) ao longo da costa portuguesa. E os muitos milhares de “objetos” subtraídos às praias, e que as deixam mais limpas, são arquivados para mais tarde servirem de matéria-prima para o seu trabalho.

“É por isso que temos visto este artista a realizar várias ações por todo o País, “vestidas” de limpezas e construção de peças ao vivo e/ou coletivas, oficinas para crianças, exposições ou instalações em diferentes espaços públicos, em parceria com inúmeras entidades”, conclui o comunicado.



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