Arqueólogos descobrem sistema de reciclagem na antiga Pompeia

De certa forma, a antiga cidade romana de Pompeia imitava uma cidade moderna – uma vez contida nas muralhas protectoras da cidade, à medida que a área urbana crescia e prosperava, espalhava-se pelo campo, criando subúrbios. O seu sistema de reciclagem não era excepção e tinha também particularidades que são utilizadas actualmente.

Para compreender as sociedades antigas e a forma como funcionavam há dois aspectos-chave que os arqueólogos procuram – a forma de lidar com os mortos e com o lixo.

Em Pompeia, as tumbas eram colocadas nas áreas mais frequentadas da cidade, de forma a lembrar os mortos, e os poços de descarte eram mantidos nos mesmos espaços que o armazenamento de água.

Os habitantes tratavam da eliminação de resíduos – a sua reciclagem – de forma diferente de muitas civilizações antigas. Em vez de enviar para países distantes ou zonas desertas, novas evidências mostram que os pompeianos reciclavam nas suas casas.

Os arqueólogos descobriram este novo facto examinando pilhas de detritos e os tipos de solo que ela continha. Os excrementos humanos ou o desperdício de alimentos domésticos deixariam para trás solos orgânicos numa cova, e o lixo da rua acumularia-se nas paredes misturando-se com o solo arenoso da área.

“A diferença no solo permite-nos ver se o lixo foi gerado no local onde foi encontrado ou colectado de outros lugares para ser reutilizado e reciclado”, disse Allison Emmerson, arqueóloga da Universidade de Tulane, que fazia parte da equipa que conduziu a escavação, ao The Guardian.

Quando os investigadores vasculharam pilhas de detritos de 1,5 metros de altura empurradas contra as muralhas da cidade, encontraram materiais como gesso e pedaços de cerâmica partidos.

Originalmente, pensava-se que esses detritos teriam sido gerados quando um terremoto devastou a cidade 17 anos antes da erupção do Monte Vesúvio, mas é mais provável que haja evidências de reciclagem, afirma Emmerson, uma vez que os arqueólogos descobriram que o mesmo tipo de material era usado como material de construção em outras partes da cidade e nas áreas suburbanas.

Os arqueólogos já sabiam que as paredes interiores dos edifícios de Pompeia costumavam conter pedaços de azulejos partidos, pedaços de gesso usado e pedaços de cerâmica doméstica, que seriam cobertos com uma camada superior de gesso novo para dar uma aparência final.

Agora era óbvio de onde vinha este material das paredes interna – as “lixeiras” encostadas às antigas muralhas da cidade. Este era um local para despejar o material de uma demolição ou restauro, e um local onde os construtores podiam ir buscar o material para reutilizá-lo.

“As pilhas do lado de fora das muralhas não eram despejadas para se livrarem delas. Elas estavam fora das muralhas, eram recolhidas, classificadas e revendidas na cidade”, disse Emmerson.

Desta forma, os pompeianos não estavam apenas a reciclar, estavam a reciclar localmente – com materiais de construção e lixo removidos de uma área da cidade e usados ​​para construir em outra.

Considerando que os resíduos de construção representam pelo menos um terço – e talvez até 40% – do espaço do aterro, esta é uma lição que as sociedades modernas podem tirar dos antigos.

Emmerson explica o porquê: “Os países que gerem com mais eficiência os seus resíduos aplicaram uma versão do modelo antigo, priorizando a mercantilização em vez da simples remoção”.

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