As abelhas estão cada vez mais stressadas (e a culpa é das alterações climáticas)



As alterações climáticas estão a provocar stress nas abelhas, indica um novo estudo que juntou especialistas do Imperial College London e do Museu de História Natural de Londres. A equipa analisou espécimes que pertencem a coleções de cinco museus do Reino Unido, o Museu Nacional da Escócia, Museu de História Natural da Universidade de Oxford, Museu Mundial de Liverpool e o Museu Tullie House.

Com acesso a imagens digitais de quatro espécies de abelhas do Reino Unido – Bombus hortorum, Bombus lapidarius, Bombus muscorum e Bombus pascuorum -, exemplares estes que datam desde 1990, os autores puderam investigar a sua morfologia e possíveis sinais de stress experienciados ao longo do século XX.

Os dados demonstram que, há medida que os anos passavam, os níveis de stress eram superiores. A época de maior stress foi durante a segunda metade do século. Ao analisarem os dados climáticos, foi possível perceber que em anos mais quentes e húmidos, as abelhas mostravam uma maior assimetria das asas. A alta assimetria das asas das abelhas, ou seja, uma asa muito diferente da outra, sugere que sofreram stress durante o seu desenvolvimento.

O nosso objetivo é entender melhor as respostas a fatores ambientais específicos e aprender com o passado para prever o futuro. Esperamos ser capazes de prever onde e quando os zangões estarão em maior risco e direcionar ações de conservação eficazes”, refere o autor Andres Arce.

As abelhas são polinizadores naturais importantíssimos para a biodiversidade e para o bom funcionamento dos ecossistemas. Nos últimos anos a comunidade científica tem alertado para o grande declínio das suas populações e para os impactos que isso poderá ter no planeta. Estudos como este pretendem prever futuras reações dos polinizadores às mudanças no clima e desenvolver medidas para salvaguardar as suas populações.

O artigo científico foi publicado no Journal of Animal Ecology.



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