Atingir a descarbonização até 2050 requer uma transformação económica



Atingir as zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa até 2050 é um desafio no qual as empresas e os governos trabalham atualmente. Mas a descarbonização requer uma transformação económica, e as mudanças que vêm com este compromisso são agora avaliadas no novo relatório McKinsey & Company. O estudo “Transição Net Zero: quanto custaria, o que poderia trazer” avalia as implicações para a procura, gastos de capital, custos de produção e empregos em setores que produzem 85% das emissões totais, com uma análise detalhada realizada em 69 países, incluindo Portugal.

O documento sugere, em primeiro lugar, que a transição iria ocorrer de forma universal, afetando todos os setores económicos. A tendência atual seria revertida e haveria uma substituição por infraestruturas e produtos de baixo nível de emissões. Em termos económicos, esta iria resultar num gasto de capital em ativos físicos de e 9,2 milhões de dólares anuais até 2050, ou num aumento de 3,5 mil milhões de dólares dos gastos anuais.

Os gastos, que hoje rondam os 6,8% do PIB, aumentariam para 8,8% entre 2026 e 2030, antes de diminuírem. Além disso, os custos de produção de eletricidade aumentariam de imediato, mas cairiam depois de atingirem o pico. Em termos de empregos, isso iria causar a perda de 185 milhões de empregos até 2050, no entanto, seriam criados novos 200 milhões de empregos diretos e indiretos.

Como referem ainda os autores, o impacto da transição seria sentido de forma desigual entre setores, países e comunidades. Os mais expostos seriam os setores com produtos ou operações com elevados níveis de emissões, os países com rendimentos mais baixos per capita e aqueles com grandes recursos de combustíveis fósseis, e as comunidades cujas economias locais dependem de setores expostos. Apesar da dimensão dos ajustes necessários, os custos e as mudanças causadas pelo aumento de riscos físicos, ou por uma transição desordenada, seriam provavelmente muito maiores, devido a todos os impactos das alterações climáticas.

“A transição económica para alcançar zero emissões líquidas será complexa e desafiadora, mas é necessária. A questão agora é se o mundo pode agir com ousadia e aumentar a resposta e o investimento necessários na próxima década”, afirma Bruno Esgalhado, sócio de McKinsey & leader of sustanabiility practice in Iberia.



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