Autoridades moçambicanas suspendem aulas em 16 distritos devido ao ciclone Jude

As autoridades moçambicanas suspenderam aulas em 16 distritos da província de Nampula, no norte de Moçambique, afetados pelo ciclone tropical Jude, que atingiu o país na madrugada de hoje, anunciou fonte oficial.
“Os colegas desses 16 distritos em que o ciclone vai afetar já têm também uma orientação de não poderem abrir as escolas no dia de hoje que é para salvaguardar a vida dos alunos, assim como dos colegas que lá atuam”, disse Faruk Carimo, porta-voz da direção provincial da educação em Nampula, citado pela Televisão de Moçambique.
Segundo o responsável, mais de 600 alunos de escolas dos distritos de Nacala-Porto e Mogovolas já foram afetados pela intempérie, tendo os edifícios sido total e parcialmente destruídos.
Na mesma província, porta de entrada do ciclone, um total de 436.397 clientes estão sem corrente elétrica devido ao mau tempo, anunciou hoje a elétrica moçambicana.
“Persiste o mau tempo na província de Nampula, que está a provocar interrupções no fornecimento de energia elétrica em algumas regiões daquele ponto do país”, lê-se num comunicado da Eletricidade de Moçambique (EDM), que avisa também que a reposição do sistema está condicionada devido à interrupção de vias de acesso face ao ciclone.
O ciclone tropical Jude entrou na madrugada de hoje em Moçambique, através do distrito de Mossuril, em Nampula, com ventos de 140 quilómetros por hora e rajadas até 195 quilómetros por hora, disse hoje à Lusa Manuel Francisco, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique.
“Logo após a entrada, ele [o ciclone] voltou ao estágio de tempestade tropical severa e nos próximos dois dias poderá variar entre tempestade moderada e severa”, disse o meteorologista, acrescentando que o sistema poderá ainda causar chuvas intensas até 250 milímetros em 24 horas.
A intempérie está a afetar as três províncias do norte de Moçambique, nomeadamente Nampula, Niassa e Cabo Delgado, podendo sair, a partir da noite de hoje, para o centro de Moçambique condicionando o tempo nas províncias da Zambézia, Tete, Sofala e Manica, acrescentou Manuel Francisco.
O Inam apela à tomada de medidas de precaução e segurança face ao mau tempo.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) avançou, no domingo, que o novo ciclone pode afetar um total de 341 mil pessoas, referindo que já foram ativados os comités operativos de emergência e que decorrem encontros entre o Governo moçambicano e parceiros para o levantamento de todos os recursos disponíveis de assistência aos afetados.
Moçambique está em plena época chuvosa, que decorre entre outubro e abril, período em que foram já registados os ciclones Chido e Dikeledi, que afetaram igualmente o norte do país.
Os ciclones atingiram Moçambique entre dezembro do ano passado e janeiro último, com maior impacto para as províncias de Cabo Delgado e Nampula, tendo afetado cerca de 736.000 pessoas e causado a destruição de infraestruturas públicas e privadas.
Eventos extremos, como ciclones e tempestades, provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) noticiados anteriormente pela Lusa.
O país africano é considerado um dos mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.