Aves com as características mais raras são também as mais vulneráveis ao risco de extinção, confirmam cientistas



Tal como acontece com todos os demais seres vivos, as aves possuem caraterísticas que as ajudam a adaptarem-se da melhor forma e a singrarem nos ambientes que habitam. Desde os pequenos pardais que saltitam nos nossos jardins às grandes avestruzes que correm pelas planícies africanas, passando pelos exuberantes beija-flores que cintilam pelas florestas, todas essas aves evoluíram para terem sucesso nos seus habitats.

No entanto, uma investigação realizada por cientistas do Imperial College London, da Universidade de Oxford e da University College London revela que as aves com traços físicos pouco comuns ou raros são as que estão mais ameaçadas.

Analisando o risco de extinção e as características físicas de 99% de todas as espécies vivas de aves, como a forma do bico e a envergadura das asas, os especialistas consideram ter realizado “o estudo mais abrangente” até à data sobre a ligação entre os traços fenotípicos destes animais e a ameaça de extinção que enfrentam.

Os autores do artigo publicado na revista ‘Functional Ecology’ alertam que “perder estas espécies e os papéis únicos que desempenham no ambiente, tal como a dispersão de sementes, a polinização e a predação, poderá ter consequências graves para o funcionamento dos ecossistemas”.

Espécies de aves que são morfologicamente únicas e que estão ameaçadas incluem, indicam os cientistas, o rabiforcado-de-natal (Fregata andrewsi), que nidifica apenas na Ilha de Natal, no Oceano Índico, e o maçarico-do-pacífico (Numenius tahitiensis), que todos os anos migra do local de nidificação no Alasca para as ilhas do sul do Pacífico.

Maçarico-do-pacífico (Numenius tahitiensis)
Crédito: Joe Tobias

Jarome Ali, principal autor do artigo, explica que “o nosso estudo mostra que as extinções muito provavelmente eliminarão uma grande porção de espécies únicas da árvore aviária”, e que isso significará a perda “os papéis especializados” que essas espécies únicas desempenham nos ecossistemas dos quais fazem parte.

“Se não agirmos para proteger as espécies ameaçadas e evitar extinções, o funcionamento dos ecossistemas será drasticamente perturbado”, prevê Ali.

A investigação contou com a análise de 9943 espécies de aves, entre aves vivas e espécimes localizados em museus, e centrou-se no estudo de traços físicos como o tamanho e a forma do bico, bem como o comprimento das asas, das caudas e das pernas.

O passo seguinte foi combinar esses dados morfológicos com o risco de extinção de cada uma dessas espécies de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, e fizeram simulações para perceberem quais seriam os impactos do seu desaparecimento.

Apesar de ter sido possível verificar que as aves com as características mais únicas são também as que estão mais ameaçadas, os investigadores não conseguiram, ainda, traçar uma linha direta entre esses traços singulares e o risco de extinção.

Jerome Ali avança que, uma possível explicação, poderá estar relacionada com o facto de aves altamente especializadas terem menor capacidade para se adaptarem a mudanças ambientais, pelo que “os impactos humanos podem ameaçar diretamente espécies com os papéis ecológicos mais incomuns”.



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