Biofilmes: a vida numa comunidade de bactérias



Os biofilmes são películas que os microrganismos, em particular as bactérias, produzem em quase todo o tipo de superfícies. Essas películas são constituídas por polímeros produzidos e geridos pelas bactérias – que criam assim o seu próprio habitat. Nos biofilmes formam-se comunidades biológicas estruturadas e funcionais, que aqui encontram uma forma de se protegerem e de proliferarem. Formam-se, entre as diferentes comunidades de bactérias de cada biofilme, relações simbióticas que ajudam à sobrevivência em ambientes hostis.

Claro que nem todos os biofilmes são nocivos. Existem alguns que são muito bons e úteis para o ser humano. Tudo depende do local onde estão. Um exemplo simples é o das bactérias que temos na pele, como o filococos epidermis. Elas são fundamentais para a nossa pele e para manter o ph equilibrado. Mas se tivermos uma ferida e elas penetrarem no sangue, então temos um problema. O mesmo sucede com as bactérias que temos na boca ou nas fossas nasais. São necessárias e importantes, mas não podem ir para as vias pulmonares.

Quando o biofilme se forma no local errado e começa a causar dano, há que entrevir. Só que as bactérias estão a tornarem-se resistentes a diversos tipos de antibióticos e de biocidas. Por isso, a prevenção torna-se essencial. Em matéria industrial, para evitar surtos de legionella por exemplo, os investigadores estudam novos equipamentos, com materiais diversos, como o aço “bombardeado com iões”, de forma a minimizar a adesão das bactérias às superfícies.

Outro projeto em que Luís Melo está envolvido, que se encontra na fase de piloto industrial, tenta uma metodologia diferente: para tratar água, fixa-se o biocida em pequenas partículas que, sem as abandonar, possa matar as bactérias através da chamada “morte por contato” – o que reduz as resistências bacterianas e evita a contaminação da água.

Por Paulo Caetano

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