Bolhas de sabão podem polinizar flores, dizem os cientistas. Mas poderão substituir as abelhas?

Devido ao contínuo declínio mundial nas populações de abelhas, os agricultores estão à procura de métodos alternativos de polinização para as plantas frutíferas, e aqui a ciência pode dar uma ajuda. Mas será a solução?

Embora seja possível aplicar o pólen às flores manualmente, fazê-lo em todo um pomar exigiria bastante tempo e trabalho. Com isso em mente, investigadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão já tinham experimentado anteriormente pequenos drones para polinizar diretamente tulipas. E, embora tenham tido algum sucesso, foi difícil impedir que a aeronave danificasse as delicadas flores colidindo com elas.

Um dia, o cientista Eijiro Miyako do mesmo Instituto, viu o seu filho a soprar bolhas de sabão e teve o seu momento “eureka”. Seria possível polinizar flores com apenas bolhas de sabão?

“Eu estava a brincar com bolhas de sabão juntamente com o meu filho, num parque perto da minha casa, quando uma bolha de sabão atingiu acidentalmente o rosto do meu filho”, disse Miyako à BBC News. “Não houve danos porque as bolhas de sabão são macias, leves e flexíveis”.

Trabalhando com o investigador Xi Yang, passou a testar as capacidades de formação de bolhasde cinco surfactantes -tipos de liquido para fazer bolhas de sabão – disponíveis comercialmente.

Um deles, conhecido como lauramidopropil-betaína (A-20AB), provou ser particularmente eficaz.

Os cientistas começaram a adicionar pólen de pêra a uma solução de A-20AB a 0,4% – o pH da água que a compunha. O restante da solução foi otimizado para apoiar a germinação, além de compostos benéficos como o cálcio.

Quando esse líquido foi subsequentemente carregado numa pistola de bolhas e aplicado (em forma de bolha) a pereiras num pomar, o pólen foi entregue com sucesso às flores, resultando finalmente na produção de frutas.

Em seguida, um drone autónomo guiado por GPS foi utilizado para soprar as bolhas em lírios artificiais, pois as plantas reais não estavam a florescer na época. Voando a uma altura de 2 metros e a uma velocidade de 2 metros por segundo, teve uma taxa de sucesso de 90% e entrega de pólen às flores.

Existem algumas limitações à técnica, no entanto, como o vento que pode soprar as bolhas para longe ou a chuva que pode lavá-las das flores. Além disso, a eficiência precisa ser aprimorada, pois a maioria das bolhas ainda acaba por aterrar fora das flores.

Por sua vez, o biólogo da Universidade de Sussex Dave Goulson, que não participou do estudo, disse ao New York Times que, embora as bolhas tenham “potencial” como polinizadores, as abelhas ainda são as mais adequadas para a tarefa. Por um lado, as abelhas não apenas produzem pólen – elas o captam em primeiro lugar.

Goulson disse ainda: “Preocupa-me que a nossa resposta à crise da polinização seja encontrar maneiras de passar sem os polinizadores, em vez de investir os nossos esforços em cuidar melhor do meio ambiente”.

A investigação foi publicada recentemente na revista iScience.

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