Brasil tem o maior recife de algas do mundo

A Plataforma de Abrolhos, na costa brasileira da Baia, possui a maior área coberta por rodolitos em todo o mundo, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores brasileiros. Os rodolitos são algas que formam estruturas semelhantes a recifes de corai. Esta plataforma atinge o tamanho do estado de Sergipe – ou seja, 20 mil quilómetros quadrados.

Segundo a Exame, a pesquisa revelou também que estes recifes, que produzem anualmente cerca de 25 milhões de toneladas de carbonato de cálcio, enfrentam diversas ameaças e são especialmente vulneráveis à acidificação do oceano.

O estudo, que mereceu um comentário na revista Science, teve contribuição do projecto “Mapeamento dos hábitats bentónicos do banco de Abrolhos”, coordenado por Paulo Sumida, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com Sumida, os rodolitos ocupam quase metade da área total do banco de Abrolhos, que tem cerca de 46 mil quilómetros quadrados. Considerando essas dimensões, o estudo alerta para a necessidade de políticas de conservação ambiental.

“É uma área imensa de recifes, que abrigam uma biodiversidade riquíssima. Além disso, são muito vulneráveis às ameaças ambientais, como a acidificação do oceano. Os rodolitos são uma verdadeira fábrica de carbonato de cálcio e sua degradação poderia liberar quantidades gigantescas de carbono para o meio ambiente”, explicou Sumida.

“O Parque Nacional Marinho de Abrolhos foi o primeiro do género no Brasil. Mas a área do parque, com profundidades de menos de 20 metros, não chega a 2% do banco de Abrolos. Começámos a mapear o banco de Abrolhos em áreas mais profundas, de forma sistemática, em profundidades de até 100 metros”, continuou o responsável.

Segundo Sumida, pela sua enorme extensão de recifes de rodolitos, o banco de Abrolhos pode ter um papel ambiental importante no clima global. Ao produzir o carbonato de cálcio em sua estrutura, estas algas sequestram carbono da atmosfera.

“Como são compostos por um material calcário, os rodolitos são muito sujeitos à acidificação marinha. Essa degradação poderia colocar todo esse carbono de volta no ambiente marinho. Ao colocar mais carbono na água, o processo tende a aumentar o desequilíbrio químico do oceano, aumentando ainda mais o efeito de acidificação, em um círculo vicioso de proporções desastrosas”, concluiu.

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