Cabras conseguem distinguir se humanos estão contentes ou chateados pelo tom da voz



As cabras percebem muito mais do que podemos imaginar e podem até decifrar estados de espírito humanos e agir sobre eles.

Em 2018, um estudo revelava que esses animais são capazes de distinguir expressões faciais humanas e que até demonstram preferir caras sorridentes às mais carrancudas. Agora, uma nova investigação vem aprofundar o conhecimento existente sobre a capacidade das cabras para identificarem se os humanos estão contentes ou zangados.

Num artigo divulgado na revista ‘Animal Behaviour’, investigadores do Reino Unido e da China argumentam que as cabras conseguem distinguir entre uma voz humana contente e uma que denota desagrado. E sugerem que tal se poderá dever a uma evolução feita, em grande parte, ao lado dos humanos.

“As cabras são uma espécie altamente vocal, com chamamentos que codificam uma variedade de informação”, como a idade, o tamanho corporal, o sexo e a identidade do indivíduo que o emite, bem como o seu estado emocional.

Através de experiências que envolveram cabras a ouvir gravações de vozes humanas contentes e zangadas, os cientistas argumentam que os animais tendiam a olhar mais atentamente para a fonte do som quando havia uma mudança de um tom de voz para o outro, sugerindo que são capazes de perceber as mudanças.

“Este estudo fornece as primeiras evidências de que as cabras conseguem discriminar entre sinais expressos na voz humana, designadamente, a valência emocional”, afirma, em comunicado, Alan G. McElligott, da City University de Hong Kong e um dos autores do trabalho.

Cerca de 75% das cabras envolvidas na experiência, depois de estarem já habituadas às gravações de vozes humanas com tons contentes e zangados, olhavam rapidamente para o emissor quando o tom mudava e tendiam a olhar mais demoradamente para a coluna de som quando isso acontecia. Os cientistas tomaram esse comportamento como indicador de que as cabras distinguem entre tons da voz humana.

Para o investigador, “estes resultados contribuem para a limitada literatura disponível que indica que os animais de gado, tal como os animais de companhia, são sensíveis a sinais emocionais humanos”.

Apesar disso, não foram verificadas alterações fisiológicas nas cabras com as mudanças de tom. Ou seja, com a passagem de uma voz contente para uma voz zangada, por exemplo, o ritmo cardíaco dos animais manteve-se igual.

Mas nem todas as cabras responderam da mesma forma às mudanças de tom, algo que os cientistas atribuem a “variações nas capacidades cognitivas” dos indivíduos “para perceberem sinais emocionais humanos”.

No entanto, não afastam a possibilidade de o tom das vozes humanas que as cabras, como animais de gado, ouvem no seu dia-a-dia possa, de facto, afetar, de alguma forma, o seu comportamento e a sua experiência de vida. “Vozes com valências negativas, como as zangadas, podem causar medo nos animais”, dizem os investigadores. Ao contrário, vozes positivas podem ter um efeito tranquilizador nos animais e até ajudar a formar e consolidar laços com os humanos.

“As diferenças observadas nas respostas das cabras aos sinais emocionais humanos poderão enfatizar a importância das experiências e aprendizagem individuais, especialmente a comunicação emocional interespecífica”, diz McElligott. “É necessário mais trabalho de investigação para perceber a importância da voz humana nas vidas emocionais e no bem-estar das cabras e de outras espécies domesticadas”, destaca.





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