Caçadores furtivos bloqueiam estrada e agridem fiscal após morte em Maputo

Um grupo de caçadores furtivos bloqueou uma estrada no Parque Nacional de Maputo e agrediu o chefe de fiscalização, capturou um comandante da polícia e um fiscal, após baleamento mortal de um outro suposto caçador, segundo a Moçambique Bio.

Green Savers com Lusa

Um grupo de caçadores furtivos bloqueou uma estrada no Parque Nacional de Maputo e agrediu o chefe de fiscalização, capturou um comandante da polícia e um fiscal, após baleamento mortal de um outro suposto caçador, segundo a Moçambique Bio.

“Na semana passada, fiscais do Parque Nacional de Maputo, com mandado de busca e captura balearam mortalmente um furtivo que se dedicava há anos à prática de caça furtiva de elefantes e outras espécies”, lê-se numa nota divulgada hoje pela Moçambique Bio, uma Organização Não-Governamental (ONG) moçambicana.

Contactado pela Lusa, o administrador do Parque Nacional de Maputo, Miguel Gonçalves, confirmou a ocorrência dos incidentes sem avançar mais pormenores.

De acordo com a nota da Moçambique Bio, no velório do suposto caçador, surpreendido e morto quando transportava mais de quatro espécies de animais abatidos na sua viatura, os caçadores furtivos agrediram “brutalmente” o chefe de fiscalização do Parque Nacional de Maputo, tendo também tomado como refém o comandante da polícia de Proteção do Meio Ambiente e um fiscal daquela área de conservação.

Imagens divulgadas pela organização mostram o momento em que o chefe de fiscalização encontra-se deitado de bruços sobre uma esteira, no meio de uma multidão, enquanto um homem o tenta defender de golpes desferidos por algumas pessoas.

O oficial é então carregado para uma viatura estacionada a poucos metros sob aparente contestação de algumas pessoas ao redor, que tentam impedir e continuar com a agressão.

Segundo a ONG, alguns caçadores furtivos agitaram hoje a população e bloquearam a Estrada Nacional 1 (EN1), na povoação de Salamanga, no distrito de Matutuine, província de Maputo, “impedindo a circulação normal de viaturas”.

“Neste momento, as autoridades policiais estão a dispersar aqueles indivíduos”, refere a Moçambique Bio.

A caça furtiva em Moçambique tem sido uma ameaça à vida selvagem, mas as autoridades estimam que o abate de elefantes tenha diminuído nos últimos anos, fruto dos esforços de fiscalização e conservação.

Segundo dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Moçambique tem cerca de dez mil elefantes, que continuam a ser visados em ataques de caçadores furtivos, que procuram marfim para vender.

Moçambique tem em vigor uma lei de conservação da biodiversidade com penas que podem ir até aos 16 anos de prisão e multas diversas para os mandantes, caçadores, traficantes, entre outros intervenientes no negócio ilegal de produtos da vida selvagem.

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