Campanha para salvar o Tua junta produtores de vinho e artistas (com VÍDEO)

Em Setembro de 2013, a Plataforma Salvar o Tua apresentou uma primeira providência cautelar junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela contra a EDP e o Estado Português, tendo em vista a imediata suspensão das obras da barragem e respectiva albufeira.

Em causa estão os prejuízos ambientais irreparáveis que uma obra com estas características e dimensões importará para a região do Tua e para o património natural, histórico e cultural do Alto Douro Vinhateiro – incluindo a histórica linha ferroviária do Tua, considerada uma das mais belas do Planeta e que desde Dezembro de 2001 é Património Mundial da Unesco.

Paralelamente à luta judicial, a plataforma joga noutros tabuleiros. A opinião pública parece ganha, mas a Salvar o Tua continua a ganhar novos trunfos para a sua causa, entre empresários e artistas.

“Todo o meu trabalho nas vinhas e no vinho é em biológico e biodinâmico. Há um respeito enorme pelo ambiente e paisagem que nos rodeia”, explicou Mateus Nicolau de Almeida, produtor e enólogo da Muxagat.

Também João Roquette, produtor do Esporão e Quinta das Murças, afirma que a barragem vem acabar com o negócio do vinho neste região. “As pessoas que compram os nossos vinhos querem saber, cada vez mais, por que causas nos batemos. Podíamos ser politicamente correctos e não nos envolvermos em nenhumas causas, para agradar a todos, mas esta é uma causa que tem a ver com o sustento da nossa actividade. Com territórios e com um ecossistema onde se produz vinho há centenas de anos, na região mais antiga demarcada do mundo o Douro”, afirmou.

Para chamarem a atenção para a implicação da barragem nos seus produtos, Nicolau de Almeida e Roquette lançaram uma edição limitada de Muxagat e Assobio (Quinta das Murças) com a campanha para salvar o Tua.

Rui Reininho e Manuela Azevedo são outros dos integrantes nesta campanha, tendo escrito a canção oficial.

“Temos um património único, um activo fantástico que nos permite utilizar o rio para actividades de águas bravas, a paisagem fantástica da Linha [turística] do Tua ou a agricultura; o oposto a isto significa destruir totalmente o que é específico do Vale do Tua, acabar com qualquer hipótese de desenvolvimento turístico nesta zona, porque ninguém vai visitar uma albufeira de água poluída, e degradar as condições para a agricultura, incluindo o vinho que é produzido nesta zona”, explicou ao Economia Verde João Joanaz de Melo.

A luta contra a barragem ainda agora começou. Conheça todas as acções previstas no site da Plataforma e não deixe de ver o episódio 283 do Economia Verde – dedicado à esperança.

Foto: Duarte Belo / Plataforma Salvar o Tua

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