Há quase cinco anos que na Austrália começou um programa de reprodução em cativeiro e de reintrodução de uma espécie rara de caracol, a Advena campbelli.
É nativa da ilha australiana de Norfolk, no Pacífico sul, praticamente à mesma distância da Austrália, da Nova Caledónia e da Nova Zelândia. Uma avaliação científica de 1996 declarara a espécie como extinta, e é assim que está classificada na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. No entanto, na Austrália, está classificada como criticamente em perigo, e tudo indica, embora o caminho ainda seja longo, que os esforços de recuperação da espécie poderão, eventualmente, aliviar o estatuto de ameaça.
Em 2020, investigadores redescobriram uma população selvagem de caracóis Advena campbelli na ilha de Norfolk, depois de vários anos a pensar-se que teriam desaparecido. Para tentar dar um “empurrão” à recuperação da espécie, o Museu Australiano deu início a uma colaboração entre organizações não-governamentais, universidades e entidades públicas para trazer de volta esse caracol único.
Da ilha foram recolhidos 46 desses invertebrados e levados para o jardim zoológico de Taronga, na cidade de Sydney, onde em 2021 foi inaugurado o primeiro programa de reprodução em cativeiro de caracóis da Austrália. Em comunicado, ao Museu Australiano diz que, apesar de desafios nas primeiras fases do projeto, a população em cativeiro ultrapassou os 800 caracóis Advena campbelli e, assim, arrancou a reintrodução na Natureza.
Em junho deste ano, mais de 600 caracóis foram transferidos para uma estação de aclimatação na ilha de Norfolk, onde foram habituados à sua dieta nativa e marcados para poderem ser seguidos e monitorizados pelos cientistas. No mês seguinte, cerca de metade foi libertada numa área cuidadosamente selecionada, com alimento abundante e com a menor quantidade possível de predadores para dar aos caracóis a melhor hipótese de sobrevivência.
Mais recentemente, as equipas de monitorização revelaram terem detetado vários recém-nascidos no local de libertação, o que é interpretado como um sinal de que os animais não estão apenas a conseguir sobreviver, mas que estão também a prosperar no meio selvagem.
A esperança agora é que, sendo a ilha de Norfolk também um parque nacional, as proteções legais conferidas aos seus habitats permitam ao caracol Advena campbelli continuar a expandir a sua população e a área de ocorrência, revitalizando uma espécie que, em tempos, se receava estar perdida.
Para 2026 está prevista uma segunda reintrodução de caracóis nascidos em cativeiro, que irá refletir as aprendizagens retiradas na primeira fase de reintrodução.
A ilha de Norfolk é considerada um foco de diversidade de espécies de caracóis terrestres, com 62 espécies endémicas registadas. Uma vez que os caracóis terrestres que vivem em ilhas estão a desaparecer mais rapidamente do qualquer outro grupo de animais, os especialistas dizem que este projeto não se trata apenas de salvar uma espécie em particular da extinção, mas também de preservar a saúde e resiliência de todo um ecossistema do qual dependem tantas outras formas de vida.









